SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE GOIÂNIA – SINDMETAL – GO

Menu

Previdência Social

Reforma da Previdência pode evitar colapso

Rio – “Se a população de 60 anos ou mais, segundo o IBGE, vai ser multiplicada por 3,5 entre 2010 e 2050, a reforma da aposentadoria é desejável agora, porque esses idosos estão hoje ingressando no mercado de trabalho. No Brasil, as pessoas acham razoável se aposentar aos 52, 53 anos, o que é inadmissível no resto do mundo”, diz o economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fábio Giambiagi.

Ele aponta alguns caminhos para a mudança. “A partir da reforma, pode haver uma regra mais dura para quem ingressar no mercado de trabalho, mas também uma regra de transição. Funcionaria assim: para quem ingressou pouco tempo antes da reforma, a nova regra seria aplicada quase na íntegra. O erro é mudar e querer aplicar a mesma regra para quem trabalha há um mês e quem trabalha há 34 anos.”

O economista também acredita que é preciso reduzir as diferenças entre homens e mulheres: “E, claro, mudar o sistema de pensões. No Brasil, uma pessoa de 20 anos casa com um senhor de 80 anos, que morre um mês depois, e deixa pensão integral. Com as projeções demográficas que temos, tem que haver compromisso com as gerações futuras. A reforma deve ser tratada como questão de Estado, e não de governo.”

Já para a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, o País precisa se preparar não apenas em relação à Previdência, mas principalmente em relação à força de trabalho para as décadas seguintes: “Você terá menos gente contribuindo, então claro que vai impactar a Previdência. Mas todo mundo só fala da Previdência, quando você pode encontrar outras fontes para custeá-la, além das contribuições. Há fontes já previstas e não utilizadas nessa conta, como lucro das loterias e imposto sobre lucro das empresas. A questão nem será haver menos gente contribuindo, a questão é: quem vai trabalhar? Hoje, por problemas como falta de qualificação, mão de obra já é um gargalo, juntamente com infraestrutura”, afirma.

Ana Amélia defende que o debate sobre a solução do problema não fique restrito ao aumento da idade mínima para aposentadoria: “O que deve ser feito é, mantendo-se essa idade mínima, encontrar formas de estimular que o já aposentado continue trabalhando, como criar um bônus sobre os salários dos mais idosos, que seja associado, por exemplo, à qualificação.”

Segundo a pesquisadora, a solução passaria, ainda, pelo combate ao preconceito que há nas empresas contra trabalhadores mais velhos.

Fonte: O Popular (GO)

Deixe um comentário