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JBS vai aumentar preço do frango nos EUA para compensar alta dos grãos

Segundo o presidente da JBS os reajustes devem ser feitos no quarto trimestre

A brasileira JBS, dona da PIlgrim's Pride — a maior empresa de carne de frango dos EUA–, elevará os preços do produto para compensar, pelo menos parcialmente, o aumento dos custos de produção provocado pela alta dos grãos. Segundo o presidente da JBS, Wesley Batista, os reajustes devem ser feitos no quarto trimestre.

“Ainda teremos um terceiro trimestre lucrativo, pois tínhamos uma grande posição comprada em milho e em soja. No quarto trimestre, quando estaremos produzindo frango com grãos a esses preços, vamos encontrar o desafio de repassar para minimizar o impacto do aumento dos custos”, afirmou.

“Acreditamos que há condições para a indústria repassar parte ou boa parte desse incremento”, acrescentou Batista durante teleconferência com analistas para apresentar os resultados do segundo trimestre.

Ontem, as duas maiores produtoras de carne de frango do Brasil, BRF-Brasil Foods e Marfrig, disseram que vão aumentar os preços de exportação e no mercado doméstico para compensar parte da alta dos grãos.

Segundo o presidente da JBS, se não houver nenhum repasse de preço, possibilidade considerada remota pelo empresário, a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Pilgrim's cairia para perto de 1%. A estimativa considera custos e preços de venda da carne de frango atuais.

No segundo trimestre, a processadora norte-americana de frangos apresentou margem Ebitda de 6,4%, em um processo de recuperação da rentabilidade após dificuldades encontradas no mercado dos EUA no ano passado.

Para Batista, a indústria norte-americana de frangos não está em maior desvantagem do que a brasileira por conta da seca que provocou quebra na safra de milho e reduziu a produção de soja nos EUA, impactando as cotações dos grãos em todo o mundo.

“O Brasil tem o mesmo desafio [das empresas americanas] e já começou a subir os preços no mercado internacional, o que favorece os EUA no repasse de preço. O impacto da seca lá reflete aqui também”, disse.

No Brasil, a JBS estreou na produção de frangos em julho deste ano. Em maio, anunciou a compra dos ativos da Frangosul e, segundo Batista, os abates tiveram início no mês passado. “Já estamos operando com 90% da capacidade instalada, de 1,1 milhão de aves por dia”, disse.

BOVINOS

A alta dos grãos também impacta a operação de bovinos da JBS nos EUA, mas em menor intensidade. Segundo Jeremiah O'Callaghan, diretor de relações com o investidor do JBS, os bovinos são confinados para a engorda apenas cinco meses antes do abate, o equivalente a 25% do tempo total de vida do animal.

O efeito imediato do aumento do custo da ração, segundo Jerry, é a queda nos preços do boi magro, que é encaminhado para os confinamentos. “O ajuste ocorre no ciclo bovino, então não temos impacto relevante de custos”, disse O'Callaghan à Folha, após a teleconferência.

Além disso, explicou, a alimentação dos bovinos confinados é menos concentrada nos grãos. A indústria também usa silagem e sobras da produção de etanol nos EUA para alimentar o gado. “Esse aumento dos grãos fica bastante diluído”, explicou.

A JBS registrou lucro líquido de R$ 169,5 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo no mesmo período do ano anterior, de R$ 180,8 milhões.

Fonte: Folha.com

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