SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE GOIÂNIA – SINDMETAL – GO

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Isenção segura emprego metalmecânico

A desoneração do IPI para a indústria automotiva refletiu positivamente no emprego do subsetor metalmecânico em julho

A desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automotiva refletiu positivamente no emprego do subsetor metalmecânico em julho. O ramo, que inclui as atividades de metalurgia, caldeiraria, moldes e ferramentaria, foi o único a se manter estável na região, na comparação com o restante do segmento da indústria. Em relação a junho, houve a perda de 1.000 postos, o que é considerado estabilidade. Frente a julho do ano passado, porém, houve o acréscimo de 5.000 vagas.

Isso é o que aponta a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) do Seade/Dieese. O estudo considera as entrevistas domiciliares realizadas em 600 casas, com 2.500 pessoas. Pelo fato de a amostra mudar a cada mês, o resultado avalia a média dos últimos três meses. São contabilizados todos os tipos de emprego – com e sem registro em carteira e autônomos. Em torno de 20% dos entrevistados geralmente trabalham fora da região.

Os dados sobre o setor metalmecânico, que representa 55% dos empregos da indústria no Grande ABC, de acordo com o gerente de pesquisas do Seade, Alexandre Loloain, sinalizam que a isenção tributária e o acesso ao crédito movimentaram a demanda por encomendas, que diminuiu os altos estoques e, consequentemente, gerou a necessidade de reforço na mão de obra das autopeças. Desde o fim de maio o IPI para carros 1.0 caiu a zero e foi diminuído para veículos com motores mais potentes (a medida, que ia terminar amanhã, foi prorrogada para 31 de outubro – leia mais na página 8). Além disso, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no crédito para pessoa física recuou de 2,5% para 1,5%.

“Esses estímulos podem ter contribuído, ao passo que os demais setores, como químico, borracha, plástico e alimentício não tiveram esse incentivo, e registraram fortes demissões”, apontou Loloian, durante coletiva no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. De fato, de junho para julho, foram demitidas pela indústria 20 mil pessoas. Na comparação com julho de 2011, o contingente de trabalhadores do setor foi reduzido em 21 mil. Na Região Metropolitana, o movimento foi semelhante, o que reforça a tese.

O segmento de comércio e reparação de veículos também ficou estável na comparação mensal, com a demissão de 1.000 pessoas de junho para julho. Frente a julho do ano passado existem 13 mil a menos trabalhando na região. Segundo a técnica do Dieese Ana Maria Belavenuto e Freitas, esses resultados negativos se devem ao forte crescimento que o setor apresentou em julho do ano passado. “A base de comparação estava muito alta”, disse. “Além disso, como contratou bastante no mesmo período em 2011, o setor pode ter feito ajuste.” Em relação à comparação mensal, ela explicou que o endividamento das famílias pode estar influenciando nas vendas e no emprego.

Apesar disso, os centros públicos de emprego da região estão com centenas de vagas para o comércio, porém, a maioria é para trabalhar em estabelecimentos que ainda vão abrir as portas, como supermercados e lojas que vão funcionar em shoppings, a exemplo do São Bernardo Plaza Shopping, em Ferrazópolis, que será inaugurado em novembro.

O ramo de serviços manteve a curva ascendente e contratou 5.000 em junho, ante junho, e 54 mil em relação ao mesmo mês em 2011. A maioria das vagas foi gerada em hotéis, restaurantes, teatros, locais voltados a esporte e lazer e, no caso de empresas, na segurança e cozinha.

Taxa de desemprego diminui para 10,8%

Mesmo com algumas empresas da região demitindo seus funcionários em julho, a taxa de desemprego diminuiu de 11,2% em junho para 10,8% no mês passado – o mesmo percentual de julho de 2011.

De acordo com a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), o volume de desempregados – não somente quem perdeu emprego, como quem está em busca de uma ocupação – diminuiu de 161 mil para 153 mil, ou seja, 8.000 a menos que em junho e 1.000 a mais que em julho do ano passado.

Essa redução, porém, não foi provocada pelo aumento das ocupações, que em julho recuaram em 12 mil frente a junho, com 1,265 milhão de pessoas em atividade. Na comparação com julho de 2011, porém, as contratações cresceram em 9.000. A explicação, segundo o gerente de pesquisas do Seade, Alexandre Loloian, está na intensa redução da PEA (População Economicamente Ativa), que passou de 1,438 milhão em junho para 1,418 milhão no mês passado, ou seja, 20 mil pessoas a menos – a PEA é a somatória dos ocupados e desempregados. “Essa forte redução não é sazonal, e nos últimos meses a PEA vinha se comportando com estabilidade. É uma das mais intensas desde 2009, durante a crise”, afirmou. “Isso pode se explicar pelos períodos de incerteza da economia, que se transformam em notícias de que as coisas não estão indo bem. Sendo assim, muita gente deixa de procurar emprego.”

Outra hipótese, para a técnica do Dieese Ana Maria Belavenuto e Freitas, é que, por conta do aumento do rendimento dos ocupados, em junho com média de R$ 1.787 (R$ 10 a mais frente a maio e R$ 237 a mais ante junho de 2011), muitos pais podem ter optado por deixar filhos e mulheres em casa, sem buscar ocupação.

Fonte: Diário do Grande ABC (SP)

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