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Indústria espera fim do impasse no setor elétrico

Situação envolvendo Celg e Eletrobras tem levado à falta de investimentos na distribuição de energia em Goiás

Indústrias e o setor produtivo goiano em geral têm uma nova expectativa de que as dificuldades e prejuízos ocasionados pela má qualidade e interrupções no fornecimento de energia elé­- trica comecem a tomar novos rumos. Na terça-feira (9), em reunião entre o Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Coinfra/ Fieg), o Conselho de Consumidores da Celg (Concelg) e representantes da Eletrobras e da Celg, foi dado o prazo de 60 dias para que os impasses entre as duas companhias seja finalizado, abrindo espaço para novos investimentos de longo prazo.

A falta de investimentos é um obstáculo para o desenvolvimento da indústria goiana, e a resolução desse imbróglio é uma demanda antiga da classe empresarial. Empresários como Ivam da Glória, sócio-proprietário de quatro indústrias no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), que precisam ampliar seus negócios, mas têm na insuficiência do sistema de distribuição de energia elétrica um impedimento.

O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Pedro Alves de Oliveira, classifica como séria a realidade da Celg e destaca que o crescimento industrial goiano, apesar de um dos maiores do País, tem esbarrado na falta de energia elétrica. “No ano passado, crescemos 3,8%. Perdemos ape­- nas para a Bahia com 4,2%, mas tínhamos capacidade para, pelo menos, empatar se não fossem problemas com energia”, diz Oliveira.

Ivam da Glória investiu R$ 3 milhões para desatrelar a fabricação de insumos farmacêuticos de uma das empresas do grupo, a Gênesis, e criar outra planta, a Gemini, também localizada no Daia. Por um desvio de informação ele se viu de mãos atadas e com equipamentos e funcionários parados por falta de energia elétrica. “Fizemos investimentos em edificação, controle de temperatura, software. Sabíamos que demoraria para ampliar a rede, mas não contávamos com a impossibilidade da Celg de expandir.”

Cobrança

Com mais energia, as empresas que somam em torno de 600 funcionários contratariam, pelo menos, mais 100. O grupo também investiu 3 milhões de euros em equipamentos e mais 14 linhas de fabricação de bisnagas de alumínio, cada uma com custo de 200 mil dólares.

“Só a Gênesis paga uma conta mensal de energia de R$ 300 mil e temos receio em expandir mais. Precisamos de investimentos na Celg que precisam acontecer urgentemente”, pontua. Na quinta-feira passada, Ivam disse que recebeu uma ligação da Celg e que irá visitar o local para tentar resolver o problema.

Resultados só virão entre 4 e 6 anos

O empresário Henrique Morg, presidente do Conselho de Consumidores de E­nergia Elétrica da Celg (Concelg), diz que o acordo entre a companhia goiana e a Eletrobras pode ser definido em 60 dias, conforme foi discutido na reunião na terça-feira passada (9), o que deve dar à companhia nacional maior parte do capital. “Foi feito um novo acordo entre as partes para que haja uma resolução daqui dois meses. Enquanto isso, ficamos paralisados, de pés e mãos atadas”, lamenta. O coeficiente desse acordo só deverá surtir efeitos em longo prazo, dentro de quatro a seis anos.

O engenheiro eletricista, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Fieg (Coinfra), Célio Oliveira, diz que o modelo criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi o que mais prejudicou a Celg. Segundo ele, a companhia passou por um “longo o período de sangramento”, sem poder reajustar as tarifas e também será longo o tempo para recuperação.

As tarifas de energia elétrica em Goiás ficaram estacionadas por seis anos e só puderam ser reajustadas em 2012, quando a companhia deixou a condição de inadimplente. “Agora o consumidor vai ser prejudicado duplamente porque terá vários reajustes na tarifa e os investimentos só devem começar a ocorrer em um prazo médio de quatro anos”, diz Oliveira

Com o plano de reestruturação da Celg os investimentos no horizonte 2013 a 2014 deveria ser de R$ 400 milhões. Segundo o diretor-presidente da Celg D, Leonardo Lins de Albuquerque, a expectativa é que sejam liberados R$ 250 milhões este ano, o que vai depender da evolução de processos licitatórios em andamento, mas que ainda assim não são suficientes e nem estão de acordo com o planejamento previsto há quatro anos, de R$ 150 milhões por ano, o que, para os níveis atuais de consumo é insuficiente. “Teria que ter investido R$ 600 milhões nos últimos quatro anos e investiu apenas R$ 400 milhões, gerando um déficit de R$ 200 milhões”, diz o gestor.

Acordos não cumpridos

O presidente da Federação das Indústrias de Goiás, Pedro Alves de Oliveira, lembra do investimento que deveria acontecer na ocasião em que Celg e Eletrobras firmaram acordo em 2012. “Nada disso aconteceu. O Estado é emergente e o crescimento da indústria é grande, mas seria maior se não fosse a falta de investimento na distribuição de energia.”

Segundo Morg, as demandas de carga no setor elétrico aumentaram de 3% a 3,5% no Brasil, menos da metade da demanda em Goiás, que segundo ele foi de 7,5% a 8%. “Temos, então, de um lado, aumento na demanda por conta do crescimento do Estado, e de outro falta de investimentos que ocasionam em uma energia de qualidade inferior à do País e mais interrupções no fornecimento”, explica o empresário. (A.P.)

Dívida pode ser prolongada, diz presidente da Celg D

O diretor-presidente da Celg Distribuição (Celg D), Leonardo Lins de Albuquerque, diz que os entendimentos entre o governo do Estado e a Eletrobras estão bastante adiantados e buscam equacionar os impasses entre as duas partes, dando à Eletrobras, condições de investimento na Celg. “Como ainda não há definição dando à Eletrobras condição majoritária, ela ainda não pode fazer aporte”, lembra.

Com relação à dívida acumulada, ele pontua que o mais provável é que haja um prolongamento da dívida, diminuindo sua concentração. “O governador do Estado e a Eletrobras estão muito atentos para equacionar esse estrangulamento na dívida da Celg”, pontua o gestor.

Albuquerque diz que a Celg D tem feito investimentos e captações no mercado, à medida do possível, e que estão sendo investidos R$ 135 milhões para obras emergenciais em regiões de maior prioridade e que estão mais carentes. “Decolamos um conjunto razoável de licitações para recuperar um passivo que temos na Celg D.”

Segundo o diretor-presidente, algumas dessas licitações devem debelar problemas em regiões que demandam mais energia como Cristalina, por conta dos pivôs de irrigação e Caldas Novas, em função de picos de turismo. (A.P.)

Fonte: O Hoje (GO)

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