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Cesta sobe após desoneração

A redução de impostos de alguns alimentos ainda não chegou ao bolso do consumidor de Goiânia

A desoneração dos alimentos anunciada pela presidente Dilma Rousseff no dia 8 do mês passado, ainda não teve efeito prático na vida do consumidor em Goiânia. Os 13 produtos de primeira necessidade, como feijão, batata e tomate, ficaram, em média, 0,5% mais caros em março na comparação com fevereiro em vez de baratear .

As famílias tiveram de gastar R$ 1,44 a mais para adquirir a mesma quantidade destes alimentos no mês. Dados divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que a cesta básica, em Goiânia, saiu de R$ 286,34, em fevereiro, para R$ 287,78, em março.

O curioso é que essa alta não era esperada. As estimativas apontavam para um recuo do preço médio, após o governo federal desonerar 5 dos 13 itens da cesta básica em todo o País (carne, manteiga, café, açúcar e óleo), por meio da Medida Provisória (MP) 609.

Avaliação

Na avaliação dos preços do varejo em Goiânia, quatro desses produtos tiveram queda (veja quadro). A manteiga foi o único que subiu (2,32%), por conta da alta do custo da produção. Mas a real motivação para o avanço do preço médio em 0,5% veio dos outros seis produtos que compõe a cesta básica.

Batata, feijão, farinha, tomate e arroz puxaram a variação positiva (o leite ficou estável). Na prática, a desoneração pelo governo federal de alguns produtos foi compensada pela alta de outros, aniquilando uma possível redução do valor total da cesta básica e, por consequência, redução dos gastos.

A economista e supervisora técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito, avalia que a desoneração dos preços da cesta básica teve seu efeito positivo na vida do goianiense. Segundo ela, apesar de não haver queda, o reajuste da cesta de 0,5% foi menor do que o registrado em outros meses.

Leila lembra que, em janeiro, a cesta ficou 9,41% mais cara na capital. Em novembro, 10,61%. “Poderíamos ter uma variação maior do que 0,5%, se não houvesse a desoneração. Por isso, consideramos que a medida provisória teve seu efeito sobre o custo de vida do goianiense, sim.”

A avaliação é respaldada na informação de que a desoneração dos cinco itens respondeu por um recuo de 0,97% da cesta em Goiânia. Os outros produtos fecharam com uma alta média de 1,47%. Sem a medida do governo, a cesta básica poderia ter ficado, pelo menos, 2,44% mais alta para as famílias.

Essa análise, entretanto, não é unânime. O economista Roberto Machado, especialista em mercado interno, diz que os dados do Dieese mostram que o corte das alíquotas de impostos sobre alguns alimentos, claramente, não foi repassado para o consumidor. “No fim das contas, o consumidor está pagando mais.”

Corte

Para ele, a desoneração não chegou a quem deveria. “As famílias continuam pagando mais pelos alimentos mês a mês. O corte de imposto chegou ao atacado e à indústria. Há uma incoerência nisso que deve ser resolvida pelo governo”, comenta.

Para o consumidor, a desoneração dos produtos está longe da realidade. Todos os dez consumidores ouvidos pelo POPULAR na tardem de ontem, em três diferentes estabelecimentos da cidade, disseram que os preços da cesta básica continuam a subir e que a única saída é economizar.

Purê de mandioca

A aposentada Malcizethe Ribeiro dá a dica, diante da disparada do preço da batata (11,86%): “Purê só de batata não dá. Agora, purê tem de ser de mandioca”, afirma. Ela diz que sua família continua gastando cerca de R$ 800 por mês com alimentação. Mas a quantidade de produtos está bem menor. “Só assim, para não ser vítima da inflação. A desoneração passou longe.”

O segurança Ozeias Libânio, de 41 anos, por sua vez, afirma que também não sentiu nenhum reflexo da desoneração. A alternativa é aproveitar as promoções, inclusive do tomate, que subiu 71% de janeiro para cá. “Estou comprando tomate porque o quilo está a R$3,69. O preço do quilo em qualquer lugar já é R$ 9,00. Só assim para o consumidor se sair bem”, afirma.

O empresário Paulo Roberto Soares, proprietário do Supermercado Ponto Final, na Vila Redenção, explica que a desoneração dos produtos também não chegou ao comércio. “Estamos pagando mais caro. Para não perder as vendas e os clientes, temos de sacrificar a margem de lucro.”

Devido à alta do custo da cesta básica, o trabalhador que ganha um salário mínimo (R$ 678,00) necessitou cumprir, em março, jornada de 93 horas e 23 minutos – o equivalente a mais de duas semanas de trabalho, numa carga horária de 44 horas semanais – para comprar a quantidade mensal dos 13 produtos.

O custo da cesta, em Goiânia, comprometeu 46,14% do salário mínimo líquido, isto é, após os descontos previdenciários. Em fevereiro, o porcentual exigido era de 45,91%. Em março de 2012, a parcela do salário mínimo líquido gasta com os gêneros alimentícios somou 40,92%.

Goiânia ficou na 8ª posição no ranking de menor valor entre as 18 capitais pesquisadas. No primeiro trimestre do ano, a alta da cesta básica já acumula uma correção de 9,35%. Já na comparação com março de 2012, houve recuo de 22,91%.

Preços aumentam em 16 das 18 capitais pesquisadas pelo Dieese

São Paulo – Apesar da recente desoneração de alguns itens que fazem parte da cesta básica, os preços do conjunto de alimentos essenciais continuaram a trajetória de alta e subiram em março em 16 das 18 capitais onde o Dieese realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

As maiores elevações, de acordo com o levantamento, foram apuradas em Vitória (6,01%), Manaus (4,55%) e Salvador (4,08%). Só Florianópolis (-2,25%) e Natal (-1,42%) apresentaram queda.

São Paulo continuou a ser a capital com o maior valor para a cesta básica (R$ 336,26). Depois aparecem Vitória (R$ 332,24), Manaus (R$ 328,49) e Belo Horizonte (R$ 323,97). Os menores valores médios foram apurados em Aracaju (R$ 245,94), João Pessoa (R$ 274,64) e Campo Grande (R$ 276,44).

No primeiro trimestre, todas as 18 capitais pesquisadas registraram expansão nos preços da cesta.

Fonte: O Popular (GO)

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