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BC sinaliza maior uso da Selic contra inflação

Para Carlos Hamilton, diretor de Política Econômica, a escolha do Copom, do Banco Central, é o combate ao aumento

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton, ao fazer um balanço sobre os riscos para a inflação, que considera desfavorável, afirmou que cresce a sua “convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária (da taxa Selic)”. As declarações de Hamilton sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) foram feitas em seminário realizado em São Paulo, ontem.

O diretor do BC também ressaltou que, mesmo com o balanço de riscos desfavorável para o controle de preços “no horizonte relevante”, o BC continua muito comprometido em buscar a estabilidade dos preços. “A escolha do Copom é o combate à inflação”, destacou.

“Essa escolha deriva de seu compromisso com o Regime de Metas e do fato de o Banco Central ter como missão manter a estabilidade do poder de compra da moeda”, apontou.

Hamilton ponderou que o “cenário base” de recuperação da economia brasileira e mundial neste ano contempla projeções altas de índices de preços, o que gera um balanço de riscos inadequado, um reflexo da inflação corrente “elevada, disseminada e resistente”.

“Dado esse desequilíbrio, se esse alguém se dispuser a enfrentar um dos problemas, em princípio, pode escolher um (ou mais de um), mas correndo o risco de fazer escolhas erradas”, afirmou. “Esse definitivamente não é o caso do Copom.”

Meta buscada

Ex-presidente do Banco Central (BC), o economista Gustavo Loyola afirmou que o índice de difusão da inflação se mantém num nível muito elevado e que a perspectiva inflacionária de 2013 e 2014 “embute a ideia de que 4,5% não é mais a meta buscada”. De acordo com Loyola, o governo parece dar-se por satisfeito com a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo de 6%. “Os instrumentos de combate à inflação estão cada vez mais heterodoxos”, criticou. Segundo ele, a política monetária tende a ficar “atrás da curva”, entregando “menos do que deveria e mais tardiamente”. Loyola prevê que a inflação fique entre 5,8% e 6% pelos próximos anos.

Conforme o economista e ex-presidente do BC, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar em 0,25 ponto porcentual a taxa Selic na última reunião foi lida como “dowvish” pelo mercado. “Acreditamos num ciclo de elevação de juros de 100 pontos, insuficiente”, afirmou, em evento organizado pela Coface.

Na análise de Loyola, a ata da reunião, divulgada nesta quinta-feira pelo BC, mostra um ciclo de aperto monetário, mas com muita hesitação. O economista e ex-presidente da instituição financeira afirmou que os canais de transmissão de política monetária do BC estão obstruídos e citou o mercado de crédito e o de câmbio. “Temos parte importante do mercado de crédito no Brasil inelástica à política monetária do BC. O crédito é um canal de transmissão de política monetária que está entupido”, afirmou.

Loyola disse que a economia brasileira mostra dados mistos de recuperação e que o governo dá sinais de que não sabe lidar com cenário de baixo crescimento e alta inflação. “Vemos uma postura míope do governo (sobre combate à inflação e estímulo ao crescimento econômico) agravada pela antecipação da corrida presidencial”, completou.

Fonte: O Hoje (GO)

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