Quem acompanhou de perto o movimento sindical brasileiro nas últimas décadas, como eu, não precisou de muito esforço mental para concluir que a estrutura corporativista criada por Getúlio Vargas no final da década de 30 — para reconhecer a organização dos trabalhadores no Brasil —, tinha data de vencimento na embalagem.
O produto foi de fácil manipulação. Não exigiu um mínimo de qualificação técnica dos responsáveis pela sua fabricação. Engrenou uma marcha forte para implantar um ritmo acelerado na sua produção; turbinado pela potência do motor de um supersônico; munido de uma velocidade suficiente para quebrar a barreira do som da honestidade, do caráter, da ideologia e dos sagrados princípios humanitários.
Foi assim que o movimento sindical brasileiro revelou talentosos pelegos marginais, inescrupulosos, e que eram vendidos a preço de banana podre para os detentores do poder e do capital.
Muitos deles atravessaram com sucesso o período da ditadura militar, instalada no Brasil em 1964, e saíram ilesos, sem nenhum arranhão. Outros foram torturados e exilados em outros países, até que a maré se acalmasse. Quando voltaram, encontraram os velhos amigos de carreira e, novamente, deram as mãos, deixando sua fiel clientela a ver navios. Claro, os trabalhadores.
A disputa pelo poder e pela hegemonia da representação dos trabalhadores brasileiros se tornou ainda mais acirrada e interessante. As anfitriãs dessa guerra de interesses foram as Centrais Sindicais, que aproveitaram o gesso da inércia das entidades de grau superior, integrantes do vergonhoso sistema confederativo brasileiro (nome dado a antiga estrutura sindical), para ocupar o oco causado pela nobreza dos dirigentes sindicais dessas gloriosas entidades.
As edições de números 2178 e 2182 da Revista Isto é, dos meses de agosto e setembro de 2011, contaram a história dessa tradição macabra, denunciando o que podemos chamar de “o fino do terrorismo sindical”, interpretado carinhosamente em uma das matérias da revista de “Banditismo Sindical”—, requintado de tiros, pancadaria e vandalismo.
Em setembro desse ano, fomos surpreendidos ao consultarmos o sítio do Ministério do Trabalho e Emprego e depararmos com a informação de que o nosso SindMetal-GO, encontrava-se filiado à central União Geral dos Trabalhadores (UGT), desde 1º de julho de 2011. No pedido de filiação, uma assinatura falsificada de forma grosseira enfeitava o espaço destinado ao presidente do sindicato. Um verdadeiro estelionato sindical, na busca de dinheiro fácil, furtado do bolso dos metalúrgicos, fruto do suor de seus rostos, a quem representamos com dignidade.
Uma frase na capa da mesma revista Isto é, acabou sendo grifada e reforçada com tinta vermelha de mais esse delito que aumenta o terror do crime: “A briga no movimento sindical dos trabalhadores vira caso de polícia”. É lá que a UGT deverá se explicar e provar porque o sindicalismo brasileiro chegou ao fundo do poço.
Roberto Ferreira
presidente do SindMetal-GO