SindMetal - GO
20 de maio de 2012.
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Pra não dizer que não falei das flores

Se conselho fosse bom ninguém dava, cobrava. Por incrível que pareça esse velho dito popular se encaixa perfeitamente no resultado das negociações que estão sendo realizadas entre os sindicatos representativos das categorias, profissional e econômica, no setor das indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Goiânia e região metropolitana.


Não é segredo pra ninguém que sou persona non grata para os principais dirigentes do Simelgo. Provavelmente seja esta a principal barreira que a natureza impõe a pessoas tão preparadas e bem sucedidas na vida para compreender que exercer cargo público passa fundamentalmente pelo respeito ao direito das pessoas com quem convive, mesmo não aceitando elas como são. Dirigentes sindicais são eleitos para representar uma categoria inteira e não apenas interesses pessoais ou de grupos, em detrimento da grande maioria.


Devemos ter a coragem de sermos nós mesmos. De nos mantermos firmes em nossas próprias pernas. Precisamos aceitar e reconhecer que as outras pessoas têm direito aos seus próprios pontos de vista. Para tornar-se um bom ouvinte, basta dedicar atenção aos outros e desejar ouvir o sentido por trás das palavras, antes de atacar com sua história. Tentar compreender o ponto de vista da outra pessoa requer esforço, mas isso não é apenas uma aptidão a ser estudada e praticada.


Os rumos da negociação da Convenção Coletiva de 2011 doravante são imprevisíveis por conta de uma estratégia comprovadamente desprezível, depois de fracassada no filme real protagonizado em 2009, com a greve geral dos trabalhadores da categoria. É lamentável perceber que tudo está indicando que a cena vai se repetir. Empresários ávidos em manter seus lucros tentam vencer seus empregados pelo cansaço, atrasando as negociações, promovendo o espetáculo da humilhação que causa revolta e indignação em milhares de pais de família que vendem sua força de trabalho em troca da mera sobrevivência.


Neste momento de impasse e expectativa, não tem a menor relevância gostar ou não da minha presença, pois a situação que foi criada com a rejeição da contraproposta do Simelgo está nas mãos e na responsabilidade dos trabalhadores. Seja qual for a escolha estaremos junto a eles — firmes e fortes para enfrentar as intempéries da intransigência, das diarréias táticas e, prá não dizer que não falei das flores, da falta de respeito para com o ser humano!

Roberto Ferreira

Presidente do SindMetal-GO


 

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