Diversos investigadores fizeram estudos e previsões sobre as novas tendências dos acidentes relacionados ao trabalho e, mais especialmente, aqueles ligados a problemas de saúde, com o intuito de melhorar a prevenção. Aqui no Brasil, morrem cinco vezes mais trabalhadores do que na Europa. Isso porque os patrões não vêem a prevenção como um investimento.
Nas últimas décadas, a automação e as novas tecnologias invadiram o planeta.Precarizaram o trabalho, provocando perdas profundas e irreparáveis na vida de bilhões de pessoas. Em países subdesenvolvidos como o Brasil da época, as feridas foram mais profundas: desemprego, perda de postos de trabalho, redução do parque industrial e forte aceleração da informalidade.
Empresas sem planejamento sustentável e sem visão de futuro quebraram, literalmente. Grandes categorias profissionais reduziram-se pela metade ou mais, como a de bancários, metalúrgicos, químicos e setor fabril em geral. Instalava-se, assim, a era das máquinas, dos robôs e da tecnologia — que surgiu para substituir o homem, produzir mais em menor tempo com menor número de trabalhadores e com mais qualidade.
A exploração do capital sobre o trabalho no Brasil agigantou-se, ganhou proporções ilimitadas e o patrão passou a tratar o empregado como uma laranja, em que se chupa o suco e joga-se o bagaço fora. Só havia emprego enquanto houvesse força física de trabalho.
O resultado de tudo isso é a realidade que vivemos hoje. Encantados com as máquinas, empresários investem o que for necessário para evitar que elas saiam do controle e percam produtividade. Se uma peça é quebrada, por menor que seja, o patrão carrega-a pessoalmente nos braços até o centro cirúrgico para reparo. Quando o empregado se acidenta, corta um braço ou fica mutilado pela própria máquina, o patrão chama o Samu.
Longe de querer concorrer com elas, não podemos negar que as máquinas são o nosso maior desafio. Pela proa, temos máquinas de vida longa e de vida breve, só que elas não pedem aumento, não reclamam, não se atrevem. Não atendem telefone, não sentem fome e, muitas vezes mecanizam o coração do próprio homem. Máquina não dá sorrisos, não chora, não bate papo e nem precisa de amor. Máquina não fica doente e nem sente dor.
Roberto Ferreira
Presidente do SindMetal-GO