Um começo com placar negativo

Ritmo de vendas de produtos alusivos à Copa do Mundo decepciona lojistas e fabricantes de confecções e souvenirs

As manifestações nas ruas no ano passado, o baixo crescimento da economia, com reflexos na renda do trabalhador, e a imagem negativa dos rumos políticos em ano de eleições atingiram as vendas para a Copa do Mundo, principalmente o mercado de confecção e souvenirs verde e amarelo.

Para uma empresa goiana que produz bandeiras, o faturamento será quase sete vezes menor que o aguardado para o evento esportivo. A esperança é de que, aos 45 minutos do segundo tempo, os torcedores acordem para o consumo e haja uma reviravolta no mercado.

ENFEITES

Sediar o maior evento esportivo mundial de futebolnão foi motivo para despertar o consumidor a enfeitar lojas, indústrias, casas e calçadas com bandeiras e brindes promocionais como pode ser uma das causas para este fenômeno. “A imagem está muito negativa em relação à Copa do Mundo”, afirma o proprietário da Só Bandeiras, Ecival Martins.

O empresário conta que atravessa o quinto evento esportivo fabricando bandeiras promocionais e oficiais e aponta, sem pestanejar, a Copa deste ano como a pior em faturamento. Para se ter ideia, dispensou todos os 15 funcionários contratados temporariamente para atender uma produção que não ocorreu.

“Tenho conversado com muitos empresários. A leitura que o brasileiro está fazendo é de que ele não deve vincular a imagem de sua empresa ao produto Copa do Mundo. Associar seu nome ao evento se tornou nocivo”, explica.

Com clientes pulverizados nas 26 unidades da Federação mais o Distrito Federal, ele conta que a expectativa inicial era vender 100 mil bandeiras oficiais e 500 mil promocionais. Mas deve fechar o evento comercializando apenas 20 mil bandeiras oficiais 80 mil promocionais. “Temos representantes comerciais contratados em 15 Estados brasileiros. A situação ainda é pior nas cidades sedes”, afirma o empresário.

Na prática, geralmente começa a produzir bandeiras oito meses antes do início do evento esportivo. Mas este ano foi atípico. Em função do desaquecimento do mercado, interrompeu a produção no fim do ano passado e só retomou há 45 dias.

Temendo que o estoque fique parado, as bandeiras promocionais são produzidas somente após encomenda. “Continuo produzindo bandeiras oficiais porque posso vender depois para escolas, órgãos públicos”, diz. “Nossa expectativa é de que as pessoas se empolguem no último momento”, afirma.

Fonte: O Popular

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