Taxa média de juros é a maior em quase 2 anos

No mês de maio, juro cobrado do consumidor subiu pelo décimo segundo mês seguido e atingiu 5,98% ao mês ou 100,76% ao ano, aponta pesquisa da Anefac

O brasileiro está literalmente pagando a conta da deterioração do ambiente econômico na fatura das compras a prazo e dos empréstimos. Em maio, a taxa média de juros cobrada do consumidor subiu pelo décimo segundo mês seguido e atingiu 5,98% ao mês ou 100,76% ao ano, a maior marca em quase dois anos, aponta pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Além da escalada dos juros ao consumidor, houve um forte descolamento entre o ritmo de alta das taxas cobradas das pessoas físicas e a taxa básica de juros, a Selic, desde que esta última começou a subir em abril do ano passado. Entre março de 2013 e maio deste ano, a taxa Selic aumentou 3,75 pontos porcentuais, ao passar de 7,25% para 11% ao ano. Em igual período, os juros ao consumidor avançaram num ritmo três vezes maior: 12,79 pontos.

Para o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, o maior risco de inadimplência decorrente da piora do ambiente econômico, com menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), da renda e aumento da inflação, por exemplo, fez com que os bancos subissem as taxas ao consumidor, apesar de o calote ainda não ter aumentado, segundo pesquisa do Banco Central (BC).

“Os bancos já colocaram esse risco na conta e o spread (a diferença entre o custo de captação e do empréstimo) aumentou por causa disso”, diz o vice-presidente da Anefac. Essa desconfiança em relação ao futuro explica, segundo ele, o ritmo maior de alta juros ao consumidor comparado com avanço da taxa básica no período.

Outro resultado da pesquisa que reflete o cenário de cautela foi a redução do prazo máximo do financiamento de veículos, que caiu de 72 para 60 meses de abril para maio, voltando ao nível de dezembro de 2013.

MARGENS

Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes, houve um forte descolamento entre a alta dos juros ao consumidor e o avanço da Selic porque as instituições financeiras, diante do cenário de incertezas, estão recompondo as suas margens. Ele sustenta essa avaliação, argumentando que componentes das taxas cobradas do consumidor não têm apresentado altas que justifiquem esse avanço. “Os tributos não aumentaram, a Selic subiu, mas pouco, e a inadimplência hoje de 6,5% é menor do que a registrada um ano atrás (7,5%)”, diz Bentes.

Fonte: O Popular

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