Tarifa de energia subiu mais de 50% no ano

A população goiana, que desde o início do ano sente no bolso a escalada da tarifa de energia elétrica, terá de apertar o orçamento para mais uma alta. A Celg Distribuição (Celg D) anunciou ontem que a tarifa para os consumidores residenciais vai chegar 6,71% mais cara – para os grandes consumidores (de alta tensão), o aumento médio será de 7,23% – a partir de sábado. Com mais esse acréscimo, o aumento acumulado na conta de luz de janeiro a setembro já é mais de cinco vezes maior do que a inflação acumulada até julho em Goiânia.

Na capital, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acumulado no ano é de 9,03% – sem considerar índice de agosto, que será divulgado hoje pelo Instituto Mauro Borges (IMB) –, com mais esse reajuste a energia elétrica soma 51,40% de aumento. O impacto, calculado pelo economista e gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do IMB, Marcelo Eurico de Sousa, é percebido pela população no decorrer de um ano atípico pela quantidade de aumentos que impacta principalmente famílias com renda inferior a cinco salários mínimos.

“A energia pressiona transporte, educação, alimentação e por isso vai influenciar nos preços de serviços e produtos. Mas muitos já pagaram a fatura ou vão pagar até 11 de setembro, por isso as consequências e a fatura cheia com o aumento sentiremos em outubro.” Mesmo com todo esse acréscimo em 2015, a tarifa de energia ficou congelada entre 2006 e 2011 em função de dívidas da Celg com o setor energético.

Reajuste anual

O preço pago pelo megawatt-hora (MWh) em 2014 era de R$ 436. Este ano, com o reajuste anual, que será aplicado neste mês, chegará a R$ 466. Ainda assim, a tarifa média do consumidor residencial em Goiás é uma das menores do País, na 25ª colocação entre 52 distribuidoras, conforme lembra o diretor de regulação da Celg D, Elie Chidiac. “O aumento aconteceu nacionalmente e tínhamos pedido 4,57% de reajuste”, revela. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou ontem o índice médio de 6,89% para a Celg D. A diferença entre o que foi pleiteado e homologado aconteceu, segundo a companhia, por causa da variação cambial do dólar, que determina os preços da energia comprada de Itaipu Binacional e devido ao crescimento do mercado estimado pela Celg D para pedir o reajuste.

O cálculo da empresa foi feito 30 dias antes da Aneel. “Na época, o dólar estava R$ 3,18 e quando foi aprovado estava a R$ 3,48. Já o crescimento de mercado tínhamos pensado na ordem de 6% para o orçamento de 2015 e para o reajuste rebaixamos pra 3,48% e a Aneel considerou 2,83%.”

A manobra ocorreu por causa das consequências da previsão de grande receita frente aos custos. “A Aneel percebeu este ano que o mercado sentiria uma redução e por isso era preciso uma tarifa maior para fazer frente aos custos.” Entre os custos que estão no cáculo da agência, há o operacional da distribuidora, aumentos salariais e custos não gerenciáveis do setor.

“Dois parâmetros são observados, o primeiro é uma tarifa aceitável para a população e o segundo é o equilíbrio econômico financeiro da empresa”, pontua Chidiac. O aumento anterior, que foi revisão extraordinária, seguiu mudanças no valor da energia e foi de 27,7%, em março. A expectativa agora é de que, com mais chuva, haja novas quedas no valor das bandeiras tarifárias para aliviar ao menos um pouco o bolso do consumidor, explica o diretor da Celg D.

Fonte: O Popular

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