Sindicato questiona postura da GM durante as negociações em São José

Reunião na prefeitura nesta quarta-feira (25) terminou sem acordo. Fechamento do setor MVA pode gerar 1,5 mil demissões na unidade

O fim para o impasse entre a General Motors em São José dos Campos e os trabalhadores foi condicionado pela montadora à alternativas viáveis que devem ser apontadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos para que os postos de trabalho sejam mantidos. A manutenção dos empregos depende agora das soluções levadas na próxima reunião com a direção da empresa, agendada para o dia 4 de agosto.

Uma reunião na prefeitura de São José dos Campos nesta quarta-feira (25) contou com a participação dos sindicalistas, da direção da empresa e representantes do Ministério do Trabalho. O encontro terminou sem acordo. A empresa se comprometeu apenas a não adotar novas medidas, o que inclui possíveis demissões, até a próxima reunião.

Com 1,5 mil empregos ameaçados com o encerramento neste mês da produção de três dos quatro carros produzidos pelo MVA (Montagem de Veículos Automotores), as negociações entre o sindicato e a GM ainda não avançaram.

A principal solução apontada pelo sindicato seria a concentração de toda a produção do modelo Sedan Classic em São José dos Campos. Atualmente, o carro é produzido em outras duas unidades da GM no Brasil. A solução é apontada pela GM como inviável. “O custo de produção aqui em São José é o mais alto dentre as nossas fábricas. O custo de manufatura é inadequado, mão de obra é a mais cara”, disse Luiz Moan, diretor de relações institucionais da GM.

Novas alternativas serão discutidas pelo sindicato com os trabalhadores nos próximos dias. Os sindicalistas questionam a postura da empresa durante as negociações. “O sindicato sempre esteve e continua aberto a propostas. Mas a empresa também tem que trazer propostas. Mesmo assim estamos aliviados porque hoje demos um passo importante para assegurar os empregos”, avaliou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira Barros, o Macapá.

Entenda o caso

As linhas que produziam os veículos Zafira, Meriva e Corsa Hath foram desativadas neste mês na GM de São José dos Campos. O setor emprega atualmente1,5 mil trabalhadores. Produzindo no local apenas o Sedan Classic, o emprego dos funcionários está em risco. A possibilidade de demissões não foi descartada pela direção da empresa.

A tensão aumentou na madrugada da última terça-feira (24) quando os trabalhadores do terceiro turno foram dispensados no meio do expediente e a unidade permaneceu fechada e isolada durante o dia. O expediente foi retomado normalmente nesta quarta-feira (25).

A GM alega que todos os investimentos que seriam direcionados para a planta joseense desde junho de 2008 não ocorreram por falta de acordo com sindicato. O presidente da entidade, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, rebate a acusação e diz que várias propostas já foram apresentadas à empresa na tentativa de assegurar os empregos, mas todas sem sucesso. “Está claro que o real objetivo da empresa é fechar todo o MVA. Os projetos apresentados tem viabilidade, mas a empresa quer demitir”, disse.

Fonte: G1.com

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