Sinais preocupantes no mercado de trabalho

A taxa de desemprego está em apenas 5,8%, um patamar muito baixo sob qualquer aspecto

Um dos maiores trunfos políticos da presidente Dilma Rousseff em sua campanha pela reeleição será o mercado de trabalho. A taxa de desemprego está em apenas 5,8%, um patamar muito baixo sob qualquer aspecto.

Alguns sinais preocupantes, no entanto, começam a aparecer. Em meio aos protestos que sacudiram o País na semana passada, um dado não ganhou o devido destaque no noticiário.

Foram gerados apenas 72 mil postos de trabalho em maio – o pior resultado em 21 anos. Em maio de 2012, haviam sido criadas 139,7 mil novas vagas.

Todos os setores da economia foram afetados. A indústria, que vinha ensaiando uma lenta recuperação nas contratações, recuou. E a construção civil demitiu: foram fechadas 1,9 mil vagas nesse setor.

O número de brasileiros ocupados cresceu apenas 0,1% em maio comparado com maio de 2012. Além disso, o crescimento da renda da população desacelerou. Em maio, a renda real (descontada a inflação) cresceu apenas 1,4%. Em 2012, o avanço desse indicador foi de 4,1%.

O que aconteceu?

Segundo Fábio Romão, economista da LCA Consultores, o mercado de trabalho pode estar finalmente refletindo o fraco desempenho da economia, que não cresce apesar de todos os estímulos fiscais do governo.

Na expectativa de uma recuperação da atividade, os empresários até agora vêm preferindo manter seus funcionários. Com o setor de serviços disputando trabalhadores com a indústria, a falta de mão de obra qualificada se tornou ainda mais grave no País.

Os dados de maio, no entanto, acenderam uma luz amarela de que as empresas podem estar chegando ao seu limite. Pior do que isso: que deixaram de acreditar que dias melhores virão. Ontem, o Banco Central reduziu sua expectativa para o desempenho do PIB neste ano de 3,1% para 2,7%.

As manifestações ajudaram a tornar o clima um pouco mais sombrio, abalando a confiança do consumidor e prejudicando as vendas do comércio.

Ninguém está prevendo demissões em massa nos próximos meses, mas os estrategistas do Planalto devem estar de cabelo em pé, porque nenhum tema pode ser mais sensível para o eleitor.

Fonte: Folha Online

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