Sem escolaridade, sobram vagas

Empresas têm dificuldade de atender à lei do aprendiz. Falta de capacitação profissional é outro gargalo

Comemorado hoje, o Dia do Aprendiz é também uma data para reflexão sobre como a inserção do jovem no mercado técnico-profissional ainda enfrenta dificuldades, sobretudo nas cidades do interior. A Lei de Aprendizagem, em vigor há 14 anos e regulamentada há 9 anos, obriga as empresas de médio e grande porte a preencherem de 5% a 15% de seus quadros de empregados de nível básico com jovens de 14 a 24 anos. Mas o cumprimento da norma esbarra em gargalos estruturais, geográficos, jurídicos e educacionais.

O mais grave deles talvez seja a baixa taxa de escolaridade. Segundo a auditora fiscal do Trabalho Katleem Lima, responsável pela área de aprendizagem na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás (SRTE-GO), mais da metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos no Estado não frequenta ensino regular atualmente.

“Só por este fato, eles já estão excluídos da oportunidade de qualificação no programa jovem aprendiz, já que estar na escola é um dos requisitos obrigatórios. E muitos que estão na escola também têm nível educacional muito fraco para enfrentar a seleção para participar dos cursos profissionalizantes”, afirma.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Outro problema é o reduzido número de instituições do Sistema Nacional de Aprendizagem, em especial nas cidades mais interioranas e menores. São estas instituições que ministram os cursos necessários de capacitação, que também é requisito previsto em lei para o jovem aprendiz (veja quadro). Neste caso específico, uma luz no fim do túnel é a possibilidade de cursar educação a distância (EAD), por meio de acesso à internet. Segundo Guilherme Rosa, supervisor do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), entidade parceira no programa, esta é uma das formas de alcançar locais onde hoje há dificuldade de acesso aos cursos.

Por enquanto, a plataforma on-line do Ciee atinge poucos aprendizes numa parceria com a Caixa Econômica Federal, mas a instituição tem previsão de estender o acesso a outros municípios e empresas ainda este ano. Somente no primeiro trimestre deste ano, o Ciee superou a marca de 2 mil colocações de jovens aprendizes em Goiás, um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. A entidade atua nas cidades de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Jatai, Santa Helena e Goianésia.

VAGAS

A SRTE-GO afirma que, em 2013, foram inseridos 4.360 aprendizes em Goiás, 9,2% a mais do que a meta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Goiás, que era de 3.990. Ainda conforme a superintendência, de janeiro a março deste ano, foram inseridos 1.750 aprendizes. Entretanto, estima-se que a capacidade das empresas em oferecer vagas potenciais para estes jovens seja muito maior – numa proporção que pode chegar a 70% mais.

O POPULAR tentou ter acesso aos nomes de instituições em Goiás credenciadas junto ao MTE para encaminhamento de jovens aprendizes, mas a assessoria de imprensa da SRTE-GO não conseguiu repassar a lista atualizada. Na página do ministério, o link de acesso também estava desativado ontem.

Fonte: O Popular

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