Saldo em 2012 é o pior dos últimos dez anos

Em ano de crise internacional, superávit somou US$ 19,43 bi, valor 34,8% inferior ao de 2011

Brasília – O saldo da balança comercial em 2012 foi o pior dos últimos dez anos. Com exportações de US$ 242,5 bilhões e importações de US$ 223,1 bilhões, o superávit foi de apenas US$ 19,4 bilhões, 34,8% inferior ao verificado em 2011.

Ao contrário dos anos anteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) preferiu não fixar uma meta para as exportações em 2013, mas prevê que elas se mantenham no mesmo nível dos últimos dois anos. Em 2012, com o agravamento da crise internacional, o governo teve que abandonar a meta de US$ 264 bilhões de vendas no mercado externo.

As exportações amargaram uma queda de 5,3% em relação a 2011, enquanto as importações caíram 1,4%. Com o cenário ainda nebuloso para este ano, a ministra interina do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, preferiu não fixar um número para o desempenho das vendas externas em 2013. “Não falaremos em números. A expectativa é de que nossas exportações se mantenham no patamar elevado registrado no último biênio, quando tivemos recorde.” Ela garantiu ainda que o saldo comercial será positivo em 2013. “A expectativa era de que teríamos um saldo positivo em 2012 e de que ele seria inferior ao de 2011. Isso foi confirmado”, disse .

As operações de importação da Petrobras influenciaram o resultado do ano porque a Receita Federal passou a permitir, desde junho, que a estatal registrasse as operações de compra de combustíveis até 50 dias após o desembaraço. Em novembro, ao regularizar o que havia sido feito nos meses anteriores, as importações atingiram US$ 4,5 bilhões. Devido à extensão desse prazo, as transações de importação de combustíveis e lubrificantes realizadas no fim de 2012 somente serão contabilizadas em 2013.

Culpados

A ministra interina atribuiu a queda nas exportações brasileiras no ano passado a três fatores: recuo nos preços internacionais, retração do mercado europeu e aumento das barreiras comerciais. Segundo ela, se o preço do minério de ferro permanecesse no mesmo patamar de 2011, as exportações teriam sido US$ 10,3 bilhões superiores, e as vendas externas caído apenas 1,2%.

Tatiana destacou, porém, que as exportações e as importações no ano passado tiveram o segundo melhor resultado da história. Em 2011, o comércio exterior bateu recorde e registrou um crescimento expressivo devido à baixa base de comparação de 2010. “Nesse segundo momento da crise, tivemos uma retração nas exportações de apenas 5,3% sobre o nível de 2011, que foi recorde. As exportações têm, sim, um bom desempenho. Estamos em um nível bastante alto”, afirmou.

Para este ano, Tatiana avalia que ainda restam incertezas em relação ao desempenho da economia americana, com o recém-aprovado pacote de aumento de tributos e corte de gastos, e em relação à retomada das compras pela Argentina. Também pode exercer influência negativa o baixo crescimento previsto para a economia europeia. Mas a ministra acredita que a safra agrícola recorde e o aumento dos preços internacionais das commodities podem dar novo fôlego as exportações.

A China encerrou o ano de 2012 como o principal parceiro comercial do Brasil. Destino da maioria das exportações brasileiras, pela primeira vez na história, o país asiático se tornou também o principal fornecedor de produtos para o Brasil, desbancando os Estados Unidos.

Fonte: O Popular (GO)

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