Reajuste dos remédios pode impactar inflação de abril, aponta IBGE

O reajuste dos remédios de até 7,7%, fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamento (CMED), a partir do dia 31 de março, pode impactar a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (8).

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do órgão, apesar da relevância do reajuste dos remédios para a inflação em abril, por ocorrer em todas as regiões, o resultado tende a ser “menos expressivo do que ocorreu em março”, quando o IPCA registou a maior taxa para o mês desde 1995, “altamente influenciado pelas contas de energia elétrica”.

“Em abril, se a gente levar em conta apenas os itens administrados, nós vamos ver que os reajustes já ficaram para trás, foram absorvidos nesse primeiro trimestre. Então, considerando os itens administrados, abril não vai conter tanta força, a menos dos medicamentos, que foram reajustados recentemente, e algumas outras tarifas em algumas regiões do país”, explicou.

De acordo com ela, o aumento da energia elétrica também vai influenciar o mês de abril. Contudo, o remédio “é o que tem mais impacto, mesmo com resíduo de dois ou três dias [da energia elétrica”. “[Abril] tende a ser menor porque março concentrou muito e com valores fortes na energia”, completou.

“Um grupamento [de medicamentos] vai ter reajuste 5,68%, outro 3,35% e outro de 1,02%. Então, os reajustes são de 1,02% até 5,68%”, afirmou. “Na energia elétrica, tem um pouquinho de resíduo porque o que foi apropriado em março foi a partir do dia 2, tanto do reajuste quanto da bandeira tarifária”.

Outros reajustes

A especialista ressaltou ainda que outros aumentos que também são relevantes para o IPCA ocorrerão entre os meses de março e abril.

“Nós temos na [tarifa] água e esgoto duas regiões que são em Recife, aumento 8,35% no valor das tarifas e parte já entrou no IPCA de março, porque foi em 20 de março. Em Curitiba, [houve reajuste de] 6,49% no dia 24 de março”, informou.

No Rio de Janeiro, o metrô teve a tarifa reajustada em 5,71% a partir de 2 de abril. “Também tem parte do reajuste da Ampla no Rio, foi de 34,95% em 15 de março. E passou para 30,25% ainda sem data. Tem que ser publicado no Diário Oficial”.

Já em Campo Grande, as passagens do ônibus intermunicipal ficaram 13,66% mais caras a partir do dia 14 de março. “E já apareceu na metade do IPCA de março”, ressaltou Eulina Nunes. “Na energia em Campo Grande tem 3,22% a partir de hoje, 8 de abril”. Em Belo Horizonte, em Minas Gerais, também haverá reajuste de energia a partir desta quarta-feira (8), 6,56%.

Fonte: G1

Deixe um comentário