Queda na venda de carros muda vida dos metalúrgicos do ABC paulista

A queda nas vendas de veículos mudou bastante a vida das famílias que trabalham na indústria automobilística do ABC paulista.

Francisco passou 30 anos fabricando veículos. Agora, ganha dinheiro dirigindo um. Ele aderiu ao plano de demissão voluntária na montadora onde trabalhava, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e usou o que recebeu no acordo pra comprar um táxi.

“Eu percebi que eu poderia usar esses 20 salários para colocar esse projeto que é ter um táxi, que eu já tinha muito tempo que vinha pesquisando e e eu achei que era o momento ideal e fui muito bem sucedido”, afirma Francisco Santos, metalúrgico que agora é taxista.

Francisco está entre os mais de 12 mil trabalhadores demitidos da indústria automobilística neste ano.

O setor encolheu porque as vendas de veículos despencaram em relação a 2013. Com os estoques transbordando, as montadoras reduziram a produção de quase 3,5 milhões de unidades de janeiro a novembro de 2013, para 2,9 milhões neste ano. Uma queda de 15,5%. A explicação está no desconto do IPI que fez muita gente correr para a concessionária no ano passado.

“Nós tivemos uma antecipação de vendas que levou a um patamar mais alto do que realmente é o mercado. Como muito gente trocou, tem muito carro novo rodando no Brasil. Então o pessoal às vezes diz: vou esperar um pouco pra ver como é que fica a minha situação”, conta Tereza Fernandez, diretora da consultoria MB Associados.

Na casa do Francisco, está difícil entrar no clima de Natal. A filha e a sobrinha dele são metalúrgicas e estão em casa há quase um mês, em férias coletivas antecipadas pela montadora.

“O pessoal manda mensagem, olha, vou mandar 300 embora. Mandou 300 embora e aí você não sabe se é verdade ou não porque você está de férias”, conta Maísa Reis, montadora da Mercedes.

“A gente não sabe né, está começando agora, tem um futuro, tem um monte de perspectiva de vida. E aí fica preocupado em perder o emprego. Um presente para 2015 seria vender muitos veículos”, diz Juliana dos Santos, ajustadora de ferramentas.

Especialistas ouvidos pelo Jornal da Globo dizem que o ano que vem não será tão ruim para o setor como foi em 2014. A previsão é de uma recuperação tímida nas vendas de veículos. Esperar mais que isso, dizem os analistas, só se a economia do país voltar a crescer em um ritmo mais acelerado.

“Se a economia não crescer, você não cresce nem renda, nem emprego e quem compra carro nesse país é o trabalhador é o assalariado”, diz Tereza Fernandez, diretora da consultoria MB Associados.

Seu José é outro taxista que já foi metalúrgico. Para ele, a indústria já viveu crises piores e se recuperou.

“Aquela de 1980 foi brava, viu. Doia até o coração de ter que mandar a metade embora. Doia o coração. Com certeza que o setor vai se recuperar. A crise que estava em 1980, quem passou ela sabe que essa aqui não é crise”, lembra o taxista José Inácio Rotta.

Fonte: Jornal da Globo

Deixe um comentário