Produtos da Páscoa têm até 54% mais impostos

Somada a tributação e os preços altos, o consumo de produtos relacionados à Páscoa deve ser baixo neste ano

Comer peixe na Quaresma é uma tradição de muitas famílias e se o peixe for bacalhau é possível tirar sal em casa ou já comprá-lo pronto para cozinhar. Porém o que o consumidor não consegue é se livrar dos salgados impostos que incidem sobre o valor do bacalhau importado, que são de 43,78%. O imposto cobrado sobre os peixes em geral é de 34,48%, no caso do vinho, é de 54,73%. O coelhinho ficaria constrangido em saber que sobre os ovos de Páscoa a tributação é de 38,53%; sobre o chocolate é de 38,60% e sobre os bombons, 37,61%. Os números fazem parte do estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária (IBPT), que avaliou a carga tributária de vários produtos relacionados à Páscoa em 2014. A pesquisa mostra que reunir a família para o almoço de Páscoa poderia ficar bem mais barato se não fossem os impostos.

Segundo o presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, a maioria dos brasileiros poderia desfrutar de mesas mais fartas se não houvesse o excesso de tributação. “Os produtos da Páscoa normalmente são superonerados de tributos. Com menos carga tributária, maior seria a demanda de emprego e renda em todos os setores”, relata. Ele explica ainda que quanto mais industrializado maior a incidência de impostos. Fato que favorece as pequenas produções artesanais.

Se os tributos deixam os preços mais caros, a inflação e os juros altos nem se fala. Segundo a projeção da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), neste ano as vendas a prazo na Semana Santa devem ter um aumento de apenas 3,5% se comparado com 2013. Esse deve ser o pior desempenho do varejo nos últimos quatro anos. O presidente da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio), José Evaristo dos Santos, afirma que a confiança dos empresários está mais baixa – em março, atingiu 114 pontos e foi a menor dos últimos 13 meses. Evaristo concorda com o índice projetado pela CNDL e diz que o crescimento no comércio este ano será moderado não só para a Páscoa, mas para o ano inteiro. “As famílias continuam endividadas e encontram-se mais cautelosas para fazer dívidas. Com a inflação rondando está tudo muito caro, as compras nesta Páscoa vão ser menores ou o tamanho dos ovos de chocolate será reduzido”, ressalta.

Ovos de chocolate

O presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo – Seção Goiás (Ibedec-GO), Wilson Rascovit, faz um alerta na hora de comprar os ovos de chocolate. Quanto aos itens de fabricação caseira, o consumidor precisa fazer uma degustação do chocolate que será utilizado, analisar a higiene do local de fabricação, avaliar o tipo de embalagem, as condições de armazenamento e a data de fabricação e vencimento.

Para os ovos de Páscoa industrializados, a recomendação é que além de verificar as datas de fabricação e validade, o consumidor faça pesquisa de preços, pois a variação de preços pode ser significativa. Levar crianças para a compra pode significar um custo maior no orçamento do que o previsto, porque elas são atraídas pela embalagem colorida ou pelos produtos que oferecem brinquedos. O consumidor deve ter cautela em relação aos ovos que contém brinquedos em seu interior, verificando sempre se há o selo do Inmetro, identificando especialmente a idade da criança para aquele produto.

Fonte: O Hoje

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