Produção industrial cai 1% em setembro

Dezesseis das 27 atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda. Perdas mais importantes foram nos setores de máquinas

A produção industrial caiu 1% na passagem de agosto para setembro, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de alta. A queda teve perfil disseminado, o que comprova uma perda de ritmo na produção no mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fabricação de bens de capital também registrou retração, o que sinaliza uma redução nos investimentos.

Economistas esperam uma recuperação nos próximos meses na produção nacional, mas a trajetória pode ser acidentada. Em 2012, a indústria não escapa do território negativo. As previsões são de recuo em torno de 2%. Para o ano que vem, o resultado levanta temores de um crescimento do PIB aquém do esperado e corrobora a expectativa por taxas de juros ainda baixas.

Em setembro, uma série de fatores contribuiu para o desempenho ruim, mas a magnitude da perda revela que o mês foi marcado por um menor dinamismo na produção. “Não podemos fugir das evidências de que setembro foi marcado por um ritmo menor da produção industrial”, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Acumulado

O recuo ocorreu após três altas consecutivas, quando a indústria acumulou expansão de 2,2%, o que levou a uma base de comparação mais alta. “Era razoável declinar, porque estávamos crescendo bem há três meses. Era previsível que algum ajuste pudesse acontecer”, declarou Júlio Gomes de Almeida, professor do Instituto de Economia da Unicamp.

A antecipação de compras de automóveis em agosto, diante da previsão inicial do fim da redução do IPI para aquele mês, teve alguma influência no resultado final, mas não foi determinante. A menor fabricação de automóveis foi parcialmente compensada por um aumento na produção de caminhões. “Não foi só isso. O resultado foi muito geral e afetou quatro das atividades mais representativas da indústria. Foi uma retração que atingiu o núcleo da nossa indústria. Foi uma queda forte e consistente”, apontou Almeida.

Em setembro, 16 das 27 atividades pesquisadas registraram retração, mas as perdas mais importantes mencionadas pelo economista foram a de alimentos (-1,9%) e bebidas (-2,2%), outros produtos químicos (-3,2%), veículos automotores (-0,7%) e máquinas e equipamentos (-4,8%). Outro fator de impacto foi o efeito calendário: agosto teve 23 dias úteis, enquanto setembro teve apenas 19 dias úteis. Embora o cálculo do IBGE inclua um ajuste para amortecer as desigualdades entre os meses, a diferença de dias úteis entre agosto e setembro, de acordo com a série histórica, era, em média, de apenas um dia e meio.

Fonte: O Hoje (GO)

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