Produção avança, mas contratação cai

O emprego industrial ficou estável na passagem de dezembro para janeiro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompeu a sequência de quedas observada nos dois últimos meses do ano passado, mas não foi suficiente para estancar a retração nos postos de trabalho da indústria em termos anuais. Em relação a janeiro de 2013, a redução foi de 2%, a mais intensa desde dezembro de 2009 (-2,4%) e o 28º resultado negativo consecutivo nesta comparação.

“O emprego na indústria continua em trajetória descendente. Desde 2011 não consegue se recuperar”, avaliou o técnico Rodrigo Lobo, da Coordenação de Indústria do IBGE. O dado ainda seguiu na direção contrária ao aumento de 2,9% na produção industrial registrado no mesmo período. Mas, segundo ele, essa alta foi impulsionada pela retomada do trabalho após as férias coletivas, sem configurar recuperação na atividade.

“O empresariado só vai voltar a contratar de forma consistente se vir que conseguirá elevar a produção de forma duradoura”, afirmou o técnico. A ausência de um cenário promissor faz com que o setor pondere os custos de contratar e descontratar antes de tomar uma decisão favorável, o que se traduz em perspectiva negativa para o emprego industrial. “Não se consegue enxergar retomada”, ressaltou Lobo.

Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o emprego do setor não mostrou nenhuma reação no começo de 2014, embora esse resultado já fosse esperado, dado o comportamento errático da produção. “O fato é que a crise continua instalada no mercado de trabalho da indústria”, disse o Iedi.

Fonte: O Popular

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