Presidente Dilma debaterá plebiscito com parlamentares

Após recuar na ideia de uma Assembleia Constituinte, governo irá consultar lideranças partidárias da base aliada e da oposição

Brasília – Depois da reação do Congresso e de ter sido obrigada a recuar da proposta de uma Assembleia Constituinte, a presidente Dilma Rousseff convidou líderes e presidentes dos partidos da base aliada e da oposição para reuniões no Palácio do Planalto, para discutir como realizar o plebiscito sobre reforma política.

A ideia inicial era reunir, ao mesmo tempo, lideranças políticas da base governista e da oposição. Mas houve uma certa resistência da oposição e a presidente Dilma resolveu antecipar a reunião com os partidos que apoiam o governo. Marcou para hoje, às 11 horas, o encontro com os presidentes dos partidos aliados. À tarde, será a vez de receber os líderes partidários da Câmara e, depois, do Senado. Os líderes da oposição ficaram para amanhã.

Dilma fez questão de abrir o leque de parlamentares dos partidos governistas para fazer um afago na sua ressentida base política. Por isso, marcou encontros separados com deputados e senadores. Mesmo sabendo que os parlamentares nordestinos já estão envolvidos com as tradicionais festas juninas, a presidente Dilma, por meio de seus ministros e assessorias, apelou as lideranças para que não deixem de comparecer à reunião para que se possa dar prosseguimento às discussões sobre a reforma política e que se discutam os procedimentos para “atender o apelo das ruas”. A presidente tem pressa na elaboração das perguntas a serem feitas no plebiscito e quer encaminhá-la já com consenso, para diminuir a resistência dos congressistas.

Mesmo com as dificuldade de conseguir apoio dos partidos da oposição para comparecer ao encontro no Planalto, a presidente Dilma insiste que é importante a participação de todos, porque considera que esta é uma questão acima dos partidos. Ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que está sendo uma espécie de porta-voz do governo neste processo de convocação da reforma política, declarou que “todos os partidos serão formalmente convidados a apresentarem suas propostas e ela fará consulta direta aos presidentes dos partidos e também com as lideranças da Câmara e do Senado, de governo e de oposição, assim como fez com governadores e prefeitos, da base e da oposição”.

De acordo com o ministro, “não houve nenhum tipo de discriminação. Nós querermos que todos possam contribuir com sua sugestão”, insistiu.

SINDICATOS

Em reunião ontem com dirigentes de cinco centrais sindicais, a presidente Dilma disse que “não existe tarifa zero” no transporte coletivo, detalhou os planos para conter a onda de protestos no País e afirmou estar disposta a entrar em campo para pôr os pingos nos “is” nessa luta política. “O meu governo vai disputar a voz das ruas”, afirmou Dilma a sindicalistas. Sem ser interrompida durante 35 minutos, ela disse respeitar as manifestações, mas admitiu temer a ação de grupos com outros interesses que não os de movimentos pacíficos.

A presidente pediu apoio aos sindicalistas para a proposta de convocação de um plebiscito. A ideia rachou o movimento sindical. A presidente também não conseguiu convencer os dirigentes a suspender a greve geral marcada para 11 de julho e muitos deles deixaram o Palácio do Planalto sem esconder a irritação com o que chamaram de “reunião para inglês ver”.

Fonte: O Popular (GO)

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