Prepare seu bolso para avalanche de reajustes

O custo de vida do goiano está cada dia mais alto, e a tendência é aumentar. Nesta semana, os combustíveis aumentaram, à revelia, mais uma vez – e já há novo reajuste previsto para a partir de abril. Também foi divulgado o reajuste dos remédios, em até 5,68%, a partir de 31 de março. Hoje, a Agência Goiana de Regulação (AGR) anuncia reajuste de 5,54% nas tarifas de água e esgoto, para vigorar a partir de maio. E ainda estão por vir o aumento na energia elétrica e o aumento na passagem do transporte coletivo.

O gerente de pesquisas sistemáticas e especiais da Secretaria de Gestão e Planejamento/Instituto Mauro Borges (Segplan/IMB), Marcelo Eurico de Sousa, diz que esses reajustes resultam em perda do poder aquisitivo e de compra do consumidor, pois não ocorrem na velocidade do salário. “Além dos reajustes em produtos e serviços, alimentos como hortifruti, carne e leite tiveram alta significativa em março. Isso implica manutenção da qualidade de vida das pessoas, principalmente das mais humildes.”

No caso do medicamento, continua Eurico, o consumidor pode ser beneficiado com algum recuo, por causa da concorrência ou promoções. Já nos combustíveis, água e esgoto, a economia depende da redução do consumo. E o impacto maior nas contas deve ocorrer a partir de abril. Eurico diz que o impacto desses aumentos no orçamento é muito grande, pois se trata de itens e serviços essenciais e de uso constante.

A presidente da Associação das Donas de Casa do Estado de Goiás, Jacy Ribeiro de Moura, diz que diante de tantos aumentos está difícil de auxiliar as donas de casa. Para ela, o impacto é muito grande e o salário não é suficiente para satisfazer todas as necessidades de uma casa e que hoje está cada vez mais complicado para uma família se alimentar adequadamente. “Hoje é difícil manter uma casa com uma só fonte de renda; é preciso mais de uma e o orçamento precisa ser familiar para que todos tenham o mínimo de dignidade.” Jacy diz ainda que, se a inflação disparar, o governo não conseguirá conter as manifestações cobrando a contenção da inflação.

Para o economista e professor Paulo Borges, esses aumentos demonstram a expansão do processo inflacionário. Segundo ele, a tendência é piorar, principalmente depois das eleições, porque o governo federal tem segurado ao máximo o reajuste das tarifas públicas administradas, para não se comprometer. Porém, empresas como Petrobras e concessionárias de energia elétrica, não estão conseguindo manter as contas e sinalizam a possibilidade de reajustes. O economista relata que o governo gasta mal o dinheiro que arrecada e o retorno à população em saúde, educação e segurança é mínimo.

À população, aconselha, resta controlar ainda mais os gastos, comprar dentro da capacidade e evitar as compras exageradas no cartão.

Indústria

O economista da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Claudio Henrique de Oliveira, explica que o aumento dos combustíveis é o que mais repercute em quase todas as cadeias produtivas e deve recair nos preços dos produtos e serviços para o consumidor na ponta. Se não for imediatamente, pode ser no momento em que a empresa não mais conseguir absorver os reajustes.

Presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Heleniz Queiroz resume que todos esses aumentos são muito negativos. “É um sinal de que a inflação está voltando com força. Além do combustível, as despesas que mais comprometem os gastos das empresas são: energia elétrica, mão de obra e os tributos. Todos tiveram ou ainda terão aumento este ano”, finaliza

Fonte: O Hoje

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