Preços de terras sobem 27% em média no Estado

A recuperação de parte da malha rodoviária do Estado, a alta dos preços dos grãos no mercado internacional e o avanço da expansão urbana em Goiânia fizeram o preço da terra subir 27% em Goiás, no ano passado. A pedida inicial do hectare no Estado teve a maior valorização real dos últimos cinco anos, saltando de R$ 7.416 para R$ 9.439 no ano passado. Áreas na região de Rio Verde e da Região Metropolitana de Goiânia registraram as maiores correções (veja quadro).

Os dados são da Consultoria Informa Economics FNP e foram levantados a pedido do POPULAR. O preço médio das terras rurais em Goiás acumulou ganho real de R$ 2.023 no ano. Foi como se a cada mês o hectare ficasse R$ 168,5 mais caro. “Quase nenhum ativo teve um rendimento comparável a este em 2013”, diz o especialista em investimentos, Flávio Crosara, da Crosara Investimentos.

MAIS VALORIZADO

O hectare (área semelhante a um campo de futebol) da região de Rio Verde continuou, a exemplo de outros anos, sendo o de maior valor. De 2012 para 2013, subiu 26% e atingiu R$ 12.475. Dados da FNP ainda apontam que o preço do hectare de terras agrícolas de alta produtividade de grãos da região chega a R$ 30 mil. No Entorno de Goiânia, pressionada pela expansão urbana, os preços subiram de R$ 9.129 para R$ 11.261 (23%), registrando a segunda maior valorização.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO), Oscar Hugo Monteiro, diz que o Sudoeste Goiano foi beneficiado nos últimos anos pela recuperação, reconstrução e pavimentação de rodovias, “o que, naturalmente, eleva o preço das terras. Ao mesmo tempo, os investimentos imobiliários avançaram nas áreas de expansão da Região Metropolitana, elevando a procura e, também, o preço das terras.

“Obras e investimentos de logística facilitam o escoamento da produção. Quem comprar terra nestes locais vai ter esse benefício. Por isso, o preço naturalmente sobe. Na Grande Goiânia, por outro lado, registramos a expansão de empreendimentos imobiliários nestas regiões limítrofes. O aumento da procura interfere no preço da oferta. Estamos numa situação de escassez de terras. Por isso, os preços valorizaram”, diz.

O economista e analista de Mercado da Federação da Agricultura do Estado (Faeg), Pedro Arantes, ainda lembra que, no caso da Região Sudoeste, houve maior procura por conta da alta da receita líquida (lucro) do produtor nas últimas safras. “O produtor tem vocação para imobilizar seu capital (investir) em terras e máquinas. Com lucro, passaram a procurar mais terra para investir”, diz. Os preços no mercado internacional da soja e do milho subiram 25%. “Isso leva muita gente a querer plantar, aumentando a procura e o preço da terra.”

MENORES

Mas nem todas as regiões do Estado tiveram o mesmo salto de valorização. A região de Posse (Nordeste Goiano) registrou a menor média de preço do hectare: R$ 3.033. Mozarlândia (Noroeste), por sua vez, fechou com a segunda menor média ( R$ 4.440). O relatório da FNP aponta que a área de Cerrado, entre Aruanã e Mozarlândia, por sua vez, teve o preço do hectare mais baixo em todo o Estado de Goiás : R$ 1,8 mil.

Pedro Arantes, entretanto, diz que a definição de menor preço é um conceito subjetivo. “Dentro de um mesmo município há terras com preços muito diferentes num raio de 50 quilômetros. O preço varia conforme o relevo e qualidade, entre outros fatores. Por isso, o termo menor preço da pesquisa não pode ser usado de forma generalizada”, alerta o economista e analista da Faeg.

Fonte: O Popular

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