Preços da nafta e do minério de ferro influenciam recuo no IPP, diz IBGE

Indústria química e metalurgia se beneficiaram dos preços em queda. Alimentos tiveram alta por causa das safras prejudicadas pelo clima

O cenário internacional foi um dos principais responsáveis pelo recuo no Índice de Preços ao Produtor (IPP), que desacelerou de 1,11% em junho, para 0,54%, em julho. Com a queda nos preços da nafta e do minério de ferro no exterior, a indústria química e o setor de metalurgia registraram variação negativa em relação a junho. Na indústria química, a queda foi de 2,62% em relação a junho, e foi o primeiro resultado negativo do setor após dois meses consecutivos de alta. Já a metalurgia caiu 1,24% em relação a junho, depois de quatro meses de variações positivas.

“Na indústria química temos uma clara influência da nafta, insumo dos produtos a base de etileno e propeno. A nafta tem despencado no mercado internacional, com menor demanda, principalmente por parte de China. Mesmo cenário acontece com o minério de ferro, em que o preço caiu muito, influenciando a metalurgia”, explicou Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao anunciar o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de julho, índice que mede a evolução dos preços na porta da fábrica.

Segundo o técnico, apesar de o índice de julho ter sido positivo (0,54%), está em queda desde maio quando o IPP atingiu o recorde de 1,69%. No acumulado do ano, o IPP foi 5,08%, o maior para um mês de julho desde inicio da série, em 2009. De julho de 2012 a julho 2011, a variação foi de 7,19%, a maior dos últimos 12 meses desde 2010 quando foi de 8,04%.

O mercado internacional também influenciou o preço dos alimentos na porta da fábrica, segmento que apresentou alta em relação a junho: 3,17%. Os alimentos que mais puxaram os preços para cima foram soja e farinha de trigo, por causa dos problemas de safra nos Estados Unidos causados por eventos climáticos, que também prejudicaram a safra de cana-de-açúcar, explicou o técnico Cristiano Santos. Outro alimento que acelerou o preço foi o leite. Isso porque, para a volta às aulas após as férias de julho, a demanda foi grande por parte das escolas, segundo o técnico.

Veículos automotores, carros, caminhões e peças tiveram variação de preços positiva, segundo o técnico do IBGE: de 0,80% em julho contra 0,68% em junho. No segmento, a redução de IPI não teve influência no preço dos carros na porta da fábrica e, no caso dos caminhões, houve a troca de motores para atender a conta lei do governo que estipula emissão menor de gases poluentes.

“Isso fez com que houvesse nas novas demandas para caminhões uma diferença relativa à qualidade da tecnologia. O IPI e as mudanças de tecnologia não deviam influenciar IPP, porém, no caso dos caminhões houve a tendência de agregar valor no produto final. As peças para motor também sofreram influência”, explicou.

Fonte: G1.com

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