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Piora a perspectiva do crédito do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch manteve a nota de crédito do Brasil, mas revisou a perspectiva do país de estável para negativa. A mudança, segundo comunicado emitido ontem, se deve ao “contínuo fraco desempenho da economia brasileira, ao aumento dos desequilíbrios macroeconômicos, à deterioração fiscal e a um aumento da dívida pública com pressão sobre o perfil de crédito soberano do país”. A nota de crédito reflete a avaliação das agências internacionais de classificação de riscos sobre a qualidade de um título de dívida de um país ou empresa. Indica, portanto, se o emissor é bom ou mau pagador, quais as chances de ocorrer calote e influencia o humor dos investidores.

Para a Fitch, enquanto o governo iniciou um processo de ajustes para aumentar a credibilidade e a confiança, riscos negativos relacionados com a aplicação e durabilidade persistem, “especialmente no contexto de um ambiente político e económico desafiador”. E acrescenta: “Choques internos e externos adicionais poderiam minar o ritmo e o alcance do processo de ajuste”. Há, ainda, a deterioração das contas fiscais do Brasil, na comparação com o ano passado, de acordo com a agência.

O déficit das contas públicas atingiu 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma da produção de bens e serviços), ao tornar-se “o primeiro déficit primário em vários anos.” E observa: “A relação da dívida com o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou para 58,9% em 2014, em comparação com a média de 52,8% durante o período 2010-2013”.Os técnicos, entre outras avaliações, levaram em conta o crescimento da economia brasileira de apenas 0,1% em 2014. Segundo a Fitch, o processo de ajuste em curso, se efetivamente implementado, poderia levar a uma retomada da confiança e do crescimento em 2016, mas provavelmente em nível baixo. O Ministério da Fazenda não se manifestou sobre o comunicado da Fitch.

O novo posicionamento da agência de risco afetou o mercado de câmbio. O dólar subiu depois do comunicado da Fitch, mas voltou a baixar, mantendo um dia de muita instabilidade. No fechamento das operações, a moeda norte-americana cravou alta de 0,47%, cotada a R$ 3,0706. A valorização no mês passado foi de 11,7% ante o real. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o pregão também foi decidido no fim do dia. O Ibovespa, indicador das ações mais negociadas, encerrou a sessão com valorização de 0,26%, aos 53.802,66 pontos. A variação acumulada neste mês é de 5,19% e o ganho no ano de 7,59%. Influenciadas pelo aumento dos preços do petróleo, as ações da Petrobras foram as vedetes,ao se valorizarem 9%.

A mudança da perspectiva da nota da Fitch para o Brasil de neutra para negativa sinaliza que dentro de 12 a 18 meses haverá uma decisão sobre a nota soberana do País, disse a diretora de rating soberano da agência para a América Latina, Shelly Shetty. “Alterações de rating podem acontecer antes, e alguns casos já ocorreram, mas não é comum”, ponderou. Ela afirmou que reconhece uma nova política econômica no Brasil, inclusive com o comprometimento do governo em cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB para este ano e de 2% para 2016. Destacou, também, a posição do Poder Executivo de não repassar recursos do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano.

A nota de crédito BBB foi reafirmada pela Fitch. A agência de classificação de risco prevê que a economia brasileira sofra retração de 1% em 2015, depois de crescer apenas 0,1% no ano passado. Segundo a instituição, a taxa média de crescimento em três anos do Brasil, de apenas 1,5%, é modesta quando comparada à média de 3,2% dos países com a mesma nota de crédito da economia brasileira.

Fonte: EM

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