Para a Fecomércio, agosto trouxe alívio no índice de inadimplência

Pesquisa aplicou questionário para 500 famílias residentes em Goiânia, entre os 10 primeiros dias de agosto

Os ventos de agosto parecem trazer algum alívio. Pelo menos é o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência divulgada ontem pela Fecomércio-GO, cujos dados apontam queda no número de famílias goianienses com contas atrasadas. Agosto registra 66,1 mil pessoas com contas atrasadas ante 76,3 mil no mês anterior – recuo de 13,3%. Vale lembrar que a pesquisa aplicou questionário para 500 famílias residentes em Goiânia, entre os 10 primeiros dias de agosto, para compilar esses dados.

Para colocar as contas em dia, muitos consumidores estão utilizando a primeira parcela do 13º salário (setor público e algumas empresas privadas antecipam parte deste pagamento no fim de julho) e a devolução do Imposto de Renda, segundo avaliação do presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos.

O resultado vai na contramão do que é apontado pela maioria dos índices de inadimplência e endividamento divulgados no restante do País. José Evaristo acredita que essa diferença está relacionada a uma recente mudança de hábito do consumidor. Ao invés de ir às compras, o goianiense está colocando a casa em ordem.

Essa análise é reforçada com outro dado da pesquisa. O nível de endividamento das famílias, ou seja, pessoas que não possuem nenhuma conta para pagar nos próximos meses (carnê, cheque ou cartão de crédito), é o menor da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2010. “Houve uma queda nas vendas de maio para cá. Inclusive o IBGE aponta índice negativo no mês de junho”, afirma. Segundo amostra da pesquisa, 138 mil consumidores estão endividadas, contra 177,8 mil em julho.

Por outro lado, Evaristo informa que as instituições financeiras estão mais seletivas para a liberação de crédito. “Os juros estão muito altos, o que aperta o consumo”, explica. Mas a escalada de juros penaliza também quem está com dívidas em atraso.

O cartão de crédito, cujos juros anuais podem atingir 200%, é de longe o tipo de dívida mais presente na vida do consumidor – 66%. Ele é seguido pelo carnê – 30,8%. Um total de 16,7% das famílias possui dívidas atrasadas e dessas, 8,6%, admitem que não terão condições de quitá-las.

José Evaristo vê mais um ponto positivo da pesquisa. A média da renda das famílias goianienses comprometidas com dívidas caiu de 33% em julho para 31,6%. “Estamos nos aproximando do nível ideal, que é de 30%”, afirma.

INTENÇÃO DE CONSUMO

Sinalizando a manutenção do ciclo de compras, após começar a colocar as contas em dia, o consumidor deve voltar a comprar nos próximos meses.

Segundo a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) também divulgada ontem pela Fecomércio, a intenção de consumo das famílias apresentou ligeiro acréscimo em agosto, após registrar dois meses consecutivos de estagnação. “Temos Dia das Crianças e Natal pela frente”, ressalta.

Fonte: O Popular

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