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Paço e grevistas iniciam diálogo

Presidente da Câmara e representante da Prefeitura se reúnem com grevistas e sinalizam início de negociação

Os professores e servidores administrativos já permanecem por mais de 40 horas no plenário da Câmara dos Vereadores de Goiânia. A ação levou a uma possível abertura de negociação com o Paço Municipal, que deve ser anunciada hoje após assembleia da categoria prevista para as 8 horas. No final da tarde de ontem, a juíza Jussara Oliveira de Souza, da 3ª Vara da Fazenda Pública, concedeu liminar para a reintegração de posse atendendo a ação impetrada pela Procuradoria-Geral da Câmara.

A tomada do Legislativo ocorreu na terça-feira, 8, quando os vereadores rejeitaram em votação polêmica, por 17 a 16 votos, emenda ao Projeto de Lei do Auxílio Locomoção. Em reunião à noite entre o comando de greve, vereadores da base e oposição, com o presidente da Casa, vereador Clécio Alves, deram início a um processo de conversação e discutiram as propostas apresentadas pelos servidores e a possibilidade da retirada do movimento do plenário.

De um lado, os grevistas, querem entre as 24 reivindicações, o atendimento de pelo menos três: a garantia de condições dignas durante a permanência dos professores no plenário, como entrada de alimentação, abertura dos portões e garantia de segurança; abertura de canal comunicação com o Paço; e anistia a oito servidores com o fim do processo e retirada das multas imputadas no valor de R$ 10 mil diários, o que já passa de R$ 130 mil para cada servidor. “Nosso movimento não é feito por oposição. Não é movido por interesses partidários. Estamos exercendo um direito legítimo, reivindicando melhores condições de trabalho e dignidade”, pontuou Marcelo Borges, professor.

Acordo

Após um dia de intensas tentativas de diálogo com o Legislativo, para um possível início de acordo, Clécio Alves (PMDB) conversou cerca de uma hora e meia com o comando de greve, e garantiu que após a assembleia de hoje iria, junto com a líder do prefeito, vereadora Célia Valadão (PMDB), e o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Tayrone Di Martino, abrir uma conversação como Paço. “Dou a minha palavra de presidente da Câmara deste poder”, afirmou.

Questionado por Antônio Gonçalves, do Comando de Greve, se a abertura de negociação está condicionada à desocupação do plenário, Clécio alegou que não. “Não queremos a desocupação da Câmara de forma judicial, preferimos o diálogo.” Clécio informou aos professores que mais cedo ou mais tarde deverão desocupar o plenário.

Segundo argumenta Clécio, o Legislativo tem matérias a serem votadas, inclusive do Auxílio Locomoção, que ele deve colocar em votação somente na terça-feira. “O projeto tem de ser votado”, diz. Sobre a reintegração de posse, Clécio afirma ter cumprido obrigado, pois poderia ser acusado de prevaricação, já que é o presidente da Casa.

Clécio garantiu aos professores a manutenção dos banheiros, ligação do ar condicionado do plenário; abertura dos portões, que, segundo ele, determinou o fechamento para garantir a segurança dos professores, e a retirada da Guarda Municipal do local de ocupação.

O vereador Tayrone Di Martino tentou ainda explicar aos professores que houve tentativa de diálogo e que a Prefeitura teria mantido o canal de negociação aberto. “Mesmo que não tenha tido avanços, a Prefeitura manteve o canal aberto e fizemos reuniões e audiência pública com a presença da categoria”, disse. Provocada por Clécio Alves, Célia Valadão disse que após a Assembleia irá tentar abrir conversação com o Paço.

Para Sintego, greve trava conquistas

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) se manifestou ontem expressamente contrário à paralisação dos professores da rede municipal de ensino. Para a presidente do Sintego, Iêda Leal, a greve, que já dura mais de 15 dias, atrapalha as negociações que estão sendo realizadas junto à Secretaria Municipal de Educação (SME), desde agosto. O sindicato ainda está percorrendo as escolas de Goiânia para informar aos professores, pais e alunos que a entidade não apoia a greve devido a ausência de pautas. “Esse é um movimento equivocado, que não traz nenhum tipo de ganho à categoria”, diz Iêda Leal.

A presidente do Sintego afirmou também que a categoria recebeu respostas positivas por parte da administração municipal. “O Sintego tem uma história de 25 anos de luta em defesa e valorização e sabe que o caminho melhor para negociação é o diálogo. Apenas depois de esgotar as conversações que partimos para a reve”, ressalta. Ieda acredita que a greve está sendo politizada por um grupo de oposição à diretoria atual do sindicato, pelo fato da proximidade das eleições que vão acontecer no ano que vem e deve escolher a nova presidência. “O foco do debate é desviado em razão disso”, acredita.

Ela não concorda com o movimento e muito menos com a ocupação do plenário da Câmara Municipal de Vereadores, pois para Iêda o professor tem de dar aulas de cidadania até mesmo durante a paralisação. “Isso é proposta de pessoas que não têm o menor respeito pela tradição sindical do Brasil e desconhece a luta dos trabalhadores da educação do Estado de Goiás”, defende. Para ela, a luta do sindicato é comprovado com os benefícios que já estão no contracheque dos servidores.

O Sintego listou que uma das reivindicações já conquistadas pela categoria foi a universalização do Auxílio Deslocamento, benefício que era chamado de Difícil Acesso e atingia apenas 57 pessoas. Hoje a contribuição vai de 133 a 400 reais para os 14 mil professores que têm carga horária de até 60 horas semanais.

No entanto, os professores em paralisação destacam que as manifestações vão muito além do auxílio locomoção e que o Sintego não representa os trabalhadores na negociação. Eles cobram o pagamento do piso nacional e denunciam que o plano de carreira dos professores e profissionais da Educação está sendo alterado sem a participação da categoria.

Fonte: Jornal O Hoje

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