Onde comprar mais barato: em feiras ou supermercados?

Consumidor está gastando o dobro para adquirir frutas, hortaliças e verduras. Saída são promoções

A manicure e cabeleireira Luciene Rocha dos Santos precisa levar R$ 100 para a feira, toda semana, se quiser comprar todos os produtos que precisa. Ela lembra que, no ano passado, levava apenas R$ 50 para comprar tudo. “Toda semana é um preço diferente. Já reduzi a compra de vários produtos. Quando está caro demais, nem levo.”

A opinião é compartilhada pela aposentada Neuza Vieira da Costa, que precisa gastar R$ 100 por semana na feira, se quiser comprar tudo que precisa, principalmente se for levar também queijo e milho, mesmo morando sozinha. Ela conta que, às vezes, precisa optar por algumas promoções de supermercados para comprar, apesar de preferir a feira, onde os produtos são mais fresquinhos. “Estou trocando um produto por outro, privilegiando os que estão mais em conta”, afirma.

Para a dona de casa Militina Alves da Rocha, a alta de preços na feira está comprometendo o orçamento da família. Ela conta que, hoje, gasta R$ 80 por semana, contra R$ 40 no ano passado. “Os preços dobraram, mas o salário continua praticamente o mesmo. Por isso, o orçamento ficou mais apertado.”

SUPERMERCADOS

Os preços das frutas, verduras e hortaliças estão deixando o consumidor assustado. Para feirantes e clientes, os valores cobrados estão 100% mais altos. Nos supermercados, os valores não estão muito diferentes da feira. Alguns produtos são até bem mais caros, dependendo da loja.

Porém, se o consumidor aproveitar as promoções semanais feitas por algumas redes, pode encontrar preços até 50% menores em alguns produtos. É o caso do tomate: ontem, era possível encontrar o quilo do produto por até R$ 1,99 nos supermercados. Já nas feiras, o valor mínimo era R$ 3 ontem. Na maioria das bancas, o quilo custava R$ 5.

Feirantes e supermercadistas concordam que os preços no atacado dispararam. O feirante Fernando Vicente Ferreira conta que o alface já custa R$ 4 por causa das chuvas. “As hortaliças estragam muito e a oferta ficou reduzida”, explica. O consumidor reclama, mas acaba comprando, porque não consegue ficar sem o produto.

O feirante Ailton Cláudio da Silva concorda que a oferta de muitos produtos está reduzida, principalmente porque estão indo para outros Estados, como São Paulo. Ele afirma que, ontem, vendia vários produtos a R$ 2,90 na promoção, mas que o preço teria de ser R$ 3,90 para remunerar. “Há algum tempo, era R$ 1,90”.

O feirante Edmar Felisberto afirma que os preços das frutas na Ceasa são os mesmo do Natal. Não baixaram no início do ano, como sempre ocorreu. “Uma caixa de uvas ou pêras já custa R$ 100 e a maçã argentina sai por R$ 106. Muita coisa extrapolou”, ressalta.

O quilo da uva na feira do Cepal do Setor Sul chegou a R$ 15. A feirante Dilma Toledo conta que os preços na Ceasa estão cada dia mais altos e o feirante tem dificuldades para comprar, pois não tem nem mais prazo. Por causa disso, ela diz que as vendas já tiveram queda de 30%. “Muita gente está comprando no supermercado, mas nosso produto tem mais qualidade.”

A feirante Divina das Graças Silva reclama que a caixa com 13 quilos de vagem está custando entre R$ 130 e R$ 150. Além disso, a qualidade caiu bastante. Segundo ela, os preços afugentam os clientes – as vendas caíram 40% – e muitos produtos acabam perdendo.

Para o empresário Hamilton Bernardes de Oliveira, muitas verduras estão mais caras do que a carne. Ele também diz que já está levando o dobro de dinheiro para a feira toda semana. “Tudo subiu bem mais do que diz a inflação. A saída é trocar um produto por outro”, recomenda.

O gerente técnico da Ceasa Goiás, Josué Lopes Siqueira, concorda que alguns produtos ultrapassaram limites históricos, como a vagem, que chegou a R$ 150. A caixa de 20 quilos de abobrinha está custando R$ 70. “A baixa oferta afetou os preços”, justifica.

Josué lembra que as culturas são muito sensíveis e chuva de mais ou de menos pode trazer prejuízos. O custo da mão de obra e dos insumos também teria disparado.

Fonte: O Popular

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