Mulheres conquistam mais espaço no mercado

Guindastes e caminhões carregados transitam várias vezes ao longo do dia. A britadeira nunca para. Carrinhos carregados de cimento, tijolo e areia circulamrapidamente. Equipamentos perigosos, do cotidiano de vários homens, e que podem a qualquer momento causar um acidente são rotina na vida de Marta Vilela.

Técnica de segurança do trabalho da Dinâmica Engenharia, a função dela éfiscalizar se 280 funcionários estão usando corretamente os Equipamentos de Proteção Individual e seguindo todas as medidas de segurança. “Por incrível que pareça os homens são mais fáceis de lidar, alguns até me procuram para conselhos, sou quase uma psicologia”, brinca.

A profissional conta que, no início, enfrentou resistência por parte dos homens. Mas com o tempo conseguiu conquistar a equipe. “Às vezes, a gente se depara com um mais resistente, mas nunca presenciei uma situação de desrespeito”.

Como reconhecimento ela recebeu esse ano a premiação de Técnico em segurança nota 10, realizado pelo Serviço Social da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Seconci-Go), que premia trimestralmente os melhores técnicos de segurança pelos trabalhos e projetos desenvolvidos em prol da segurança dos trabalhadores. “Nas obras o papel da mulher é diferenciado, principalmente pelo cuidado e delicadeza no processo de construção”.

E ela não é a única. Empresas de diversos segmentos têm procurado a mão de obra feminina justamente pelo olhar mais detalhista. Na indústria goiana, por exemplo, em cinco anos, o total de trabalhadoras passou de 59,1 mil para 80, 3 mil mulheres, um avanço de 35,8%.

Para o economista da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Cláudio Henrique de Oliveira, o aumento da participação da mulher na indústria pode ter diversas causas, entre elas está a necessidade de ampliação da renda familiar, aliada a busca da valorização pessoal e social.

No entanto, ele ressalta que as mudanças culturais e de valores ao longo do tempo também auxiliaram nesse processo. “Outro ponto que deve ser levado em consideração é a diferença de habilidade, entre homens e mulheres, para determinadas atividades, o que torna elas indispensáveis”, completa Oliveira.

Outro segmento que tem atraído mão de obra feminina é a corretagem. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis, em Goiás, em 2010, haviam 2.848 mulheres na profissão. Em 2015, esse número quase dobrou: subiu para 5.459 corretoras, um aumento de 91%.

Salário

A remuneração entre os sexos, por outro lado, continua distante. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as trabalhadoras recebem em média, 73,7% do salário dos homens.

Mas aos poucos o rendimento tem evoluído. Conforme os dados do IBGE, o salário de admissão das mulheres sofreu um aumento real na casa de 0,92% em 2014, se levado em consideração os valores médios e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Na indústria goiana, por exemplo, a distância de valores já diminuiu. A diferença da média salarial paga na atividade industrial entre homens e mulheres caiu de 13,33% em 2009, para 10,34% em 2013. O segmento remunerou, em média, homens com 2,9 salários mínimos e mulheres com 2,6 salários mínimos.

Fonte: O Hoje

Deixe um comentário