SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE GOIÂNIA – SINDMETAL – GO

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Mudanças ameaçam deixar postos sem gasolina e diesel

Mudanças nas regras de carregamento de combustível impostas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) já estão causando impactos na oferta de gasolina e óleo diesel em Goiás. Caminhões que antes demoravam até 3 horas para realizar o carregamento na base compartilhada das grandes distribuidoras (pool), administrado pela Petrobras, no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, estão levando mais de 24 horas, comprometendo o fornecimento para os postos, principalmente do interior do Estado.

“Estou aqui desde as 4 horas da manhã esperando para abastecer e até agora nada. O pior é que não há previsão para o carregamento de diesel. O dono do posto já me ligou dizendo que vai acabar o produto amanhã (hoje) se eu não chegar em Mineiros até o fim da manhã”, desabafou o motorista André Carlos Amorim – um dos 190 carretistas que ficaram parados na porta do pool de Goiânia durante todo o dia de ontem.

A causa do problema está na alteração da forma de carregamento e nos procedimentos auxiliares. Entrou em vigor na última quinta-feira a Resolução de nº 44/13 da ANP que, entre outras determinações, tornou obrigatória a coleta de amostra de todos os compartimentos de caminhões-tanque de combustíveis direcionados ao mercado de revenda do País. O caminhoneiro, ao abastecer, passou a ser obrigado a se deslocar no pátio e aguardar o resultado de um exame de análise do produto.

Antes, as distribuidoras entregavam uma espécie de relatório atestando a qualidade do combustível para cada caminhão-tanque. Entretanto, desde domingo, quando as novas regras entraram em vigor em Goiás em definitivo, as distribuidoras são obrigadas a fazer um teste de amostragem a cada 5 mil litros de combustíveis vendidos. “Só este teste leva mais de 1 hora”, relata o caminheiro Marcelo da Silva, 26 anos.

Os caminhões-tanques dos próprios postos de combustíveis ainda passaram a ser obrigados a dar voltas no pátio das distribuidoras até homogeneizar a mistura de 75% de gasolina e 25% do álcool anidro para, somente depois, estarem aptos a fazerem o teste de amostragem. “São quatro voltas que temos de dar no pátio até misturar o álcool à gasolina. Antes não tinha isso”, destaca o caminhoneiro Ribamar Costa, de 29 anos.

FALTA

Essas novas exigências, afirmam os caminhoneiros, estão impossibilitando o abastecimento e m tempo hábil para atender a demanda. Os proprietários de postos alegam que as distribuidoras não se reestruturaram para atender a portaria. As filas de caminhões aguardando para serem abastecidos são quilométricas no pool de Goiânia, também chamado de Tegon. Por isso, donos de postos estimam a possibilidade de desabastecimento de gasolina no Estado.

“A base de Goiânia está sobrecarregada há algum tempo. Agora existe uma grande demanda e nada foi feito. Por isso, deve faltar combustível em Goiânia”, diz o diretor do Sindiposto-GO, Gustavo Faria. “Não somos contra a nova resolução. Pelo contrário, haverá melhor controle de qualidade, mas a base daqui precisa urgentemente de investimentos. Há um problema de gestão ali. Se existissem tanques com a mistura homogeneizada este problema não estaria ocorrendo”, afirma.

O Sindicato das Distribuidoras de Combustível (Sindicom), por meio de nota, diz que desde as discussões preliminares sobre a resolução, as distribuidoras apontaram para a ANP que não seria viável a coleta de amostras nos caminhões-tanque FOB (pertencentes aos próprios revendedores), nas bases de distribuição, conforme previsão da norma da ANP. Conforme a nota, este tipo de caminhão corresponde a quase 50% dos veículos carregados nas bases, que não dispõem de infraestrutura para a realização segura da operação, nem têm condições de espaço para adequações. A coleta de amostra é realizada manualmente, em operação que envolve riscos e exige padrões específicos. “A efetivação da coleta de amostras nas bases resulta em quebra da eficiência das operações, com o consequente atraso nos carregamentos e formação de filas, causando irreparáveis prejuízos ao abastecimento do mercado”. Embora sabendo da inviabilidade, as distribuidoras dizem estar buscando a operacionalização da coleta de amostrasnas bases.

Caminhoneiros manifestam revolta

Uma multidão de motorista se aglomerava ontem no escritório da Petrobras Distribuidora em Goiânia. Numa sala pequena, alguns acompanhavam por uma TV de 32 polegadas as autorizações das chamadas para abastecimento liberadas. Todos tinham reclamações a fazer sobre a demora para o carregamento, pelos prejuízos e sobre as condições impróprias do local para uma espera tão demorada.

Para todos os 190 profissionais, existe apenas um banheiro. “Você precisa ir ver a situação do banheiro que nós temos aqui”, gritavam alguns motoristas com a chegada da reportagem.

A aglomeração de tantos caminhoneiros por tanto tempo atraiu ambulantes. A pamonha vendida a R$ 3,00 e picolé a R$ 1,00 acabou em apenas uma hora.

Fonte: O Popular

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