Montadoras e fábricas da linha branca são impulsionadas por incentivos do governo

Alimentos, bebidas e os ramos ligados à construção civil também possuem vantagem

Escaldada pela decepção com o fraco crescimento da economia neste ano, depois da saraivada de tentativas do governo federal de reerguer o Produto Interno Bruto (PIB), a indústria espera, enfim, entrar para valer numa corrida de recuperação em 2013. Da retração indigesta que se tornou inevitável para a volta ao azul, cinco segmentos da atividade em Minas Gerais prometem comandar a reação. Com o benefício da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) estendido até o meio do ano, as fábricas de automóveis e de produtos da linha branca saem na frente, favorecidas, ainda, pelos efeitos da elevação dos rendimentos dos brasileiros nos últimos anos, em especial as classes de menor poder aquisitivo, e da redução das taxas de desemprego, além da ampliação da oferta do crédito.

Renda e emprego garantem, da mesma forma, uma boa largada para os fabricantes de alimentos e bebidas, perseguidos por dois outros pesos-pesados da produção mineira. O grupo dos chamados minerais não metálicos, que engloba as cimenteiras e toda a cadeia de materiais de construção, ganha com o dinamismo da construção civil, e a indústria da mineração, quase no fim do segundo tempo de 2012, assistiu à volta por cima dos preços do minério de ferro no mercado internacional, o carro-chefe da produção do segmento, sinal de tempos mais promissores no consumo da matéria-prima.

Na raia dos retardatários, a metalurgia, sobretudo as siderúrgicas, e os produtores de máquinas e equipamentos veem um cenário positivo nas projeções mais alentadas para a expansão do PIB – as apostas dos analistas vão de 3% a 4% em 2013 –, mas continuarão sofrendo a concorrência apertada com os importados, que têm custo menor de produção. O desconforto maior parece ser o das indústrias têxteis, de calçados e couro, castigadas pela penetração dos concorrentes estrangeiros no mercado doméstico e muito dependentes do câmbio em razão dos gastos com a compra de matéria-prima importada.

Para Felipe Queiroz, analista da Austin Rating, agência classificadora de risco, a indústria sai de um ambiente em que as medidas de estímulo ao setor ainda demandavam tempo para surtir efeito e entra numa era impulsionada por um conjunto de instrumentos favoráveis. Entre os novos pontos de apoio, menciona a redução do custo da energia, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da logísitica, nova fase do Minha casa, minha vida, programa de construção de moradias a preços subsidiados, e o incremento da construção civil, que puxa uma série de cadeias produtivas.

Nos relatórios, Queiroz cravou uma taxa de crescimento de 3,5% da produção industrial brasileira em 2013, depois de uma queda esperada de 2,6% no fechamento de 2012. “É claro que há uma base fraca de comparação dos dados, mas se trata de uma alta bastante significativa ante a mediana dos últimos cinco anos”, diz. De 2007 a 2011, o setor cresceu cerca de 2,5% ao ano, nas estimativas às quais Felipe Queiroz chegou ao analisar os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o Brasil, ele trabalha com uma estimativa de 3,7% de crescimento neste ano.

O exercício com os números difere um pouco na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Guilherme Veloso Leão, gerente de Economia da instituição, acredita que a indústria mineira terá fôlego para crescer 3,8% em 2013, superando a previsão mais otimista de 3,5% de expansão do PIB. “A julgar pelo direcionamento que o governo tem dado à sua política no sentido de um crescimento econômico baseado no consumo, continuará adotando incentivos fiscais e de crédito para incentivar os bens de consumo duráveis e não duráveis, e restringindo as importações”, afirma.

O governo anunciou em dezembro a desoneração da folha de pagamentos do varejo e prometeu mais cortes de impostos neste ano, num bolo de estímulo avaliado em R$ 40 bilhões. Otimista, Eugênio Almeida, gerente nacional de marketing da Vilma Alimentos, uma das maiores empresas do segmento no estado, conta que a meta da empresa é crescer o dobro da expectativa para o PIB, portanto, ao redor dos 6% a 7%, descontada a inflação. “Vamos explorar negócios adjacentes, buscar novos mercados e diversificar nossas linhas de produção “, afirma. O executivo lembra que, junto às medidas para estimular a economia, eventos como a Copa das Confederações movimentam a rede hoteleira e, com isso, vão contribuir para a expansão da economia.

Fonte: EM.com

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