Milhares de metalúrgicos protestam na Via Anchieta contra demissões

Metalúrgicos de seis montadoras protestaram na Via Anchieta na manhã desta segunda-feira (12) contra as demissões nas unidades da Volkswagen e da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no ABC. O protesto, que se dispersou por volta das 11h, foi pacífico.

Nos cálculos dos sindicatos, o protesto mobilizou 20 mil trabalhadores de seis montadoras. Já a Polícia Rodoviária Estadual contabilizou 11 mil manifestantes, como mostrou o SPTV.

A Rodovia Anchieta teve dois pontos de bloqueio nas pistas marginais por causa da manifestação que reuniu funcionários de várias montadoras. Um grupo saiu da Volkswagen, na altura do km 23, no sentido São Paulo. O outro caminhou pelo km 16, na altura da Mercedes, no sentido litoral. Os grupos se encontram na altura do km 21.

O congestionamento, no sentido litoral, chegou a 3 km. Por volta das 11h, o protesto foi encerrado. Às 11h20, não havia mais lentidão, segundo a Ecovias, concessionária que administra a via.

O anúncio das 800 demissões na Volkswagen aconteceu na terça-feira (6), dia em que cerca de 11 mil empregados voltavam nesta semana de uma licença remunerada de quase 30 dias.

“Cada ação como essa e as demonstrações de solidariedade dão firmeza aos trabalhadores de continuar acreditando que a reversão das demissões é possível. Essa parceria no Brasil inteiro está sendo demonstrada”, afirmou Rafael Marques, que é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em nota, a empresa atribuiu as demissões às condições econômicas. “Em razão do cenário do setor automotivo, diversas medidas de flexibilização da produção foram aplicadas desde 2013, como por exemplo férias coletivas, suspensão temporária dos contratos de trabalho (lay-off), entre outras. No entanto, todos os esforços não foram suficientes”, afirmou a empresa em nota.

No ano passado, as exportações também foram prejudicadas com problemas na Argentina. Além disso, o Gol, modelo mais popular do Brasil há 27 anos, perdeu a liderança para o Fiat Palio no ano passado, conforme divulgado pela federação dos concessionários, a Fenabrave, nesta terça.

Tudo isto fez com que a produção encolhesse 15%, segundo a Volkswagen. Desde 2012, o governo brasileiro ofereceu incentivos tributários para o setor, por meio de desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Em troca, as fabricantes deveriam manter o nível de emprego.

De acordo com o Sindicato dos metalúrgicos do ABC, a empresa já havia dito que há um excedente de 2 mil trabalhadores na fábrica. Em dezembro, os trabalhadores rejeitaram proposta de mudanças em acordo com a companhia que previa estabilidade de emprego na unidade até 2016.

Mercedes

Já a Mercedes-Benz anunciou a demissão de 260 funcionários em dezembro. Cerca de 100 colaboradores aderiram a um Plano de Demissão Voluntária. Entre quarta e quinta-feira (8), os funcionários cruzaram os braços por 24h em solidariedade após a demissão dos colegas após o fim do período de suspensão de contrato, o chamado layoff.

Outra medida tomada pela montadora foi de prorrogar a suspensão do contrato de outros 750 funcionários até 30 de abril. Eles terão todos os custos assumidos pela empresa.

Fonte: G1

Deixe um comentário