Metalúrgicos de Jaguariúna (SP) mostram a força da categoria nas conquistas de PLR

Atualmente, apenas 54% dizem receber a PLR

Plano de saúde, auxílio-alimentação e transporte já não são mais os principais benefícios que atraem os trabalhadores. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela empresa de recrutamento Page Personnel com 2.500 profissionais da América Latina. De acordo com o levantamento, o benefício mais desejado é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR): 79% dos entrevistados valorizam ou desejam ter esse benefício.

Atualmente, apenas 54% dizem receber a PLR. Na sequência da lista dos benefícios mais desejados aparecem previdência privada, almejada ou valorizada por 60%, e bolsas de estudo, com 38%. A importância crescente da repartição dos lucros para a atração e retenção de funcionários é uma realidade presente em dezenas de empresas instaladas na região, em especial do setor metalúrgico, onde a PLR é bastante disseminada no pacote de benefícios a que o trabalhador tem direito.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna (SindMetal), de São Paulo, a campanha pela PLR nas empresas, ao lado da Campanha Salarial, é uma das principais lutas que a entidade trava ao longo do ano visando ampliar os ganhos dos trabalhadores, embates que muitas vezes levam a greves e paralisações com o objetivo de pressionar os empresários a repartir sua lucratividade.  Com uma estratégia de estender o benefício a um número cada vez maior de empresas, o Sindicato fechou nas últimas semanas uma série de acordos que já foram submetidos às assembleias de trabalhadores.

“Intensificamos os esforços no último mês e, graças a união do Sindicato com os trabalhadores, foram fechados diversos acordos e encaminhados vários outros que ainda estão em negociação. Com isso, garantimos um importante complemento à renda do trabalhador e a injeção de milhares de reais na economia da região”, explica o presidente do SindMetal, José Francisco Salvino, o Buiú. Ele cita como exemplos os acordos recentes celebrados em empresas de maior porte como Flextronics (ex-Motorola), Magneti Marelli e Delphi, assim como em empresas de pequeno e médio portes de Pedreira, Jaguariúna e Amparo.

Mobilizar para avançar

Para que as negociações tenham sucesso, afirma Buiú, a mobilização dos trabalhadores é fundamental, já que o benefício não é obrigatório. O pagamento da PLR é acertado em acordo coletivo e é calculado sobre os lucros e/ou resultados da empresa, ou baseado em metas que, quando atingidas, servem como base de cálculo.

O diretor do SindMetal Laércio Teodoro reforça que é necessário lutar para reivindicar a PLR nas fábricas onde ainda não há o benefício. “A conquista da PLR em um número cada vez maior de empresas é resultado direto do fortalecimento da entidade nas negociações com os patrões por mais benefícios e melhores condições de trabalho nas fábricas”, avalia.

Já para o diretor Jurídico do SindMetal, Valdir Pereira Silva, as empresas que oferecem a participação nos lucros têm em troca um trabalhador que veste mais a camisa da companhia. “Mais que um direito social, a PLR é um importante instrumento para propiciar a satisfação dos trabalhadores e, como consequência, também gerar maior produtividade, já que o empregado trabalha melhor quando é reconhecido e valorizado pela empresa”, diz.

Fonte: Mundo Sindical

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