Mesmo positivo, PIB confirma ciclo de desaceleração, dizem analistas

Ainda que melhor que as previsões do mercado, o crescimento de 0,1% da economia brasileira, divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma um ciclo de forte desaceleração, avaliam economistas ouvidos pelo G1.

Para o diretor de pesquisas econômicas da consultoria Go Associados, Fabio Silveira, o resultado é muito próximo do esperado e “nada supreendente”.

“Podemos dizer que é estagnação, porque está muito próximo de zero”. A previsão mais recente do Banco Central dava conta de um recuo de 0,1%.

A professora do MBA de economia da FGV, Virene Machado, acredita que o novo cálculo do PIB ajudou a elevar sua medição. “Se ainda fosse divulgado pela metodologia antiga, creio que o resultado seria negativo”, afirma.

Para ela, o resultado indica uma “forte desaceleração” da economia combinada a alta inflação, que fechou 2014 em 6,41% ao ano, próxima do teto da meta de 6,5%. “Para 2015, espera-se algo em torno de 8%, quase o dobro do centro da meta inflacionária”, observa.

Também era esperada a alta puxada pelo setor de serviços (0,7%) – item com maior peso e que ganhou mais relevância na nova metodologia do IBGE –, assim como o crescimento de 0,4% nos agronegócios e a queda na produção industrial, de 1,2%, afirma Silveira.

Quarto trimestre de 2014

A alta de 0,3% no quarto trimestre de 2014 em relação ao terceiro trimestre mostra uma “discreta melhora”, dentro de um ciclo com desempenho negativo, mas não deve ser suficiente para evitar a retração esperada para o primeiro trimestre de 2015, de acordo com o economista da Go Associados.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, ressalta que o consumo das famílias ajudou a elevar o desempenho do último trimestre, mas não deve se manter neste patamar nos próximos períodos. “A queda do quarto trimestre de 2014 ante o mesmo período de 2013 mostra que a economia continua mal”, afirma.

Queda nos investimentos

A queda de 4,4% na taxa de investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), ainda que menor que os 7% previstos pelo BC, não trouxe surpresas, de acordo com a professora. O novo cálculo do IBGE, segundo Virene, reduziu o impacto negativo dos investimentos com a incorporação de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) ao cálculo.

“A queda nos investimentos é mais preocupante que uma retração nos gastos do governo ou o consumo das famílias, porque mostra um comprometimento do futuro”, comenda a professora.

Novo cálculo

O cálculo que mede as riquezas do país ficou diferente a partir deste ano. A nova metodologia incluiu dados que não existiam, deslocou informações e mudou a classificação de alguns itens, deixando a medição mais precisa. Novos dados foram incorporados a partir de 2010, gerando uma revisão de toda a série, até 1995.

O novo cálculo do PIB foi aperfeiçoado para seguir padrões internacionais recomendados por órgãos como a ONU, OCDE e Banco Mundial e que devem ser adotados pelos países até 2016. A mudança serve para garantir uma comparação e calibragem mais apurada entre as economias. A última mudança na metodologia havia ocorrido em 2007.

Fonte: G1

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