Mercado de trabalho fecha 539 mil vagas desde final de 2012

Os dados da pesquisa mensal de emprego e desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o desaquecimento recente da atividade econômica atingiu o mercado de trabalho nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pelo órgão (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). A despeito de sua limitação geográfica, o cenário vislumbrado pela pesquisa indica perda de fôlego na geração de empregos, no ritmo de avanço dos rendimentos e, portanto, da massa total de salários pagos naquelas regiões.

Os números mostram, ainda, que o desemprego não registrou variações relevantes desde novembro de 2012, quando o total de ocupados atingiu seu maior nível numa série mais recente, por conta de um aumento expressivo no total de pessoas em idade de trabalhar, mas que desistiram de buscar uma ocupação ou tomaram a decisão de retardar sua entrada no do mercado de trabalho por alguma razão. Esse comportamento tem mantido a taxa de desemprego próxima de 5% na média das seis regiões pesquisadas.

Em novembro de 2012, portanto, a economia nas áreas observadas pela pesquisa registrava um total de 23,463 milhões de pessoas ocupadas de alguma forma, número que caiu para 22,924 milhões em março deste ano, com perda de 539 mil ocupações no período, numa queda de 2,3%. No mesmo intervalo, a população economicamente ativa registrou retração de 2,2% ao baixar de 24,672 milhões para 24,138 milhões de pessoas (534 mil a menos), o que se refletiu num ligeiro avanço do total de desocupados (de 1,208 milhão para 1,214 milhão ou quase 6 mil desempregados a mais, o que pode estatisticamente não teve maior relevância). A taxa de desemprego, que era de 4,9%, fechou março deste ano em 5% – bem abaixo dos 5,7% registrados no mesmo mês do ano passado.

Fora do mercado

Ainda na comparação entre março deste ano e novembro de 2012, a população não economicamente ativa registrou elevação de 7,3% com acréscimo de 1,296 milhão de pessoas neste contingente (que saiu de 17,781 milhões para 19,077 milhões de pessoas). Foi essa “fuga” aparente de pessoas para fora da força de trabalho que ajudou a “segurar” a taxa de desemprego. Desse total, pelo menos 1,426 milhão de pessoas estavam disponíveis para trabalhar, mas não tomaram a iniciativa de procurar emprego, segundo a pesquisa de março deste ano. São 124 mil a menos do que as 1,550 milhão de pessoas que se encontravam na mesma condição em novembro de 2012.

balanço

Quatro setores de atividade responderam pela queda no total de ocupados no período em análise, incluindo construção civil, comércio, serviços prestados às empresas e serviços domésticos.

Somados, esses quatro setores fecharam 528 mil ocupações desde novembro de 2012, representando praticamente 97,9% das vagas fechadas nas seis regiões.

A maior fatia, proporcionalmente, coube ao segmento de serviços domésticos, que registrava 1,522 mil ocupados em novembro de 2012 e passou a empregar 1,354 milhão em março deste ano, num tombo de 11%.

A construção demitiu 163 mil pessoas no mesmo intervalo, passando a empregar 1,728 milhão de pessoas, numa queda de 8,6% na mesma comparação.

A indústria simplesmente parou de contratar, preservando 3,654 milhões de ocupações, frente a 3,690 milhões em novembro de 2012, num recuo de 0,97%.

A massa dos rendimentos reais, que crescia a uma taxa anual de 8,3% até aquele mês de 2012, anotou variação de 4% em março deste ano, frente a igual mês do ano passado.

No primeiro trimestre deste ano, a soma total dos rendimentos, já atualizados pela inflação, registrou variação de 3,79% frente ao mesmo período de 2013, quando havia crescido quase na mesma intensidade (3,76%), mas abaixo da taxa de 5,47% observada no primeiro trimestre de 2012.

Fonte: O Hoje

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