Mercado de trabalho deve retrair nos próximos meses

Indicador da FGV que antecipa tendências do emprego no País desacelerou e mostra tendência de queda ainda este ano

O mercado de trabalho esteve menos aquecido no mês passado e encontra-se com tendência de desaceleração nos próximos meses, mostram dois indicadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados ontem.

O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que antecipa tendências do mercado de trabalho, piorou 4,5% em maio deste ano na comparação com o mês anterior. O indicador é calculado com base nas opiniões de consumidores e de empresários da indústria e do setor de serviços. É a terceira queda consecutiva do índice o que, segundo a FGV, sinaliza a tendência de menos contratações no futuro próximo. A retração é ainda maior e atinge 9,88% na comparação com maio do ano passado.

Os componentes que mais contribuíram para a queda em maio foram os indicadores que medem o grau de otimismo dos empresários em relação à tendência dos negócios nos seis meses seguintes, da Sondagem de Serviços, com variação negativa de 8,1%, e o grau de satisfação com a situação atual dos negócios, da Sondagem da Indústria, com queda de 6,5%.

O IAEmp, um índice que tenta antecipar a tendência do mercado de trabalho, é construído como uma combinação de séries extraídas das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor.

Outro indicador, o Coincidente de Desemprego (ICD), subiu 0,8% em maio sobre abril, feitos os ajustes sazonais, o que significa que houve uma piora na percepção do brasileiro a respeito da oferta de emprego. Mas assim como em abril, quando houve avanço de 2,8%, a alta foi insuficiente para reverter a tendência de queda do indicador em médias móveis trimestrais. Em outras palavras, a percepção piorou, mas a tendência ainda é positiva. Com relação a maior de 2013, o índice mostra melhora de 2,93%.

O ICD é construído a partir dos dados desagregados, em quatro classes de renda familiar, do quesito da Sondagem do Consumidor que capta a percepção do entrevistado a respeito da situação presente do mercado de trabalho.

As classes que mais contribuíram para o crescimento do ICD em maio foram a dos consumidores com renda familiar entre R$ 4.800,00 e R$ 9.600,00, cujo indicador subiu 2,9%; e os que possuem renda acima de R$ 9.600,00, com variação de 1,5%.

No próximo dia 26, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a taxa de desemprego de maio. Em abril, a desocupação atingiu 4,9%, a menor para o mês desde o início da série do instituto, iniciada em 2002. (Da Redação)

Emprego na indústria recua 0,3% em abril

Após dois meses seguidos de retração da produção das fábricas, o emprego na indústria se mantém debilitado. Em abril, as vagas de trabalho no setor caíram 0,3%, na comparação livre de efeitos sazonais (típicos de cada período) com março. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a abril do ano passado, a queda é de 2,2%.

Sem uma retomada à vista da produção e com empresários pouco otimistas, o emprego na indústria patina e tende a fechar 2014 em terreno negativo. O emprego não reage, nem mesmo quando a produção dá soluços de melhora, diante da reduzida confiança de empresários, que não esperam uma retomada mais forte à frente – e por isso não contratam diante dos elevados custos de admissão.

Essa situação ocorre em um cenário de inibição ao consumo causado por juros maiores, crédito escasso, inadimplência em nível elevado e inflação alta. O índice acumulado nos primeiros quatro meses de 2014 aponta uma retração de 2%. No acumulado dos últimos 12 meses até abril, a queda é de 1,5%.

Mesmo sem o avanço do emprego, a renda da indústria segue em alta – embora num ritmo menor – diante da falta de mão de obra em alguns setores e funções. Nesse contexto, a folha de pagamento em abril avançou 0,7% no mês, após assinalar recuo de 2,3% em março e crescer 1,5% em fevereiro.

A produção industrial nacional caiu 0,3% frente ao mês imediatamente anterior. Os dados mostram que a indústria já iniciou o segundo trimestre do ano pior do que terminou o período de janeiro a março. No ano, de janeiro a abril, a indústria acumulada queda de 1,2%. (Folhapress)

Fonte: G1

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