Mensagem de executivos da OAS cita obras em triplex e em sítio, diz revista

Mensagens trocadas entre executivos da empreiteira OAS revelam conversas sobre as reformas nas cozinhas de um triplex em Guarujá (SP) e num sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente Lula, segundo informou reportagem da edição deste fim de semana da revista “Veja”.

O Ministério Público investiga se o ex-presidente é o dono oculto do triplex de 297 m² que fica no Condomínio Solaris, na praia de Astúrias, e do sítio em Atibaia. Lula e a mulher dele, Marisa Letícia, chegaram a ser intimados para depor na última quarta-feira (17) para falar sobre o apartamento. A audiência, no entanto, foi suspensa por uma liminar concedida na véspera a pedido de um deputado petista. O MP de São Paulo diz que tem provas de que a OAS pagou os móveis planejados do sítio e do triplex. As mensagens de texto publicadas pela revista “Veja” mostram conversas entre o hoje ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e o ex-diretor da empresa Paulo Gordilho. A Polícia Federal apreendeu as mensagens no celular de Pinheiro durante operação. A TV Globo confirmou com fontes da Lava Jato a existência dessas mensagens.

As mensagens fazem parte da investigação que está sendo feita pela Lava Jato para descobrir se as obras nos apartamentos do Edifício Solaris e no sítio frequentado por Lula foram uma forma de pagamento de propina em troca de contratos com o governo.

O Instituto Lula declarou que o ex-presidente já comprovou com documentos, inclusive na sua declaração de Imposto de Renda, que jamais ocultou patrimônio. Além disso, o instituto diz que ele nunca desrespeitou a lei, antes, durante ou depois de governar o país. Segundo o instituto, Lula não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá e em Atibaia,  e hoje reside em São Bernardo (SP), no mesmo apartamento em que morava antes de ser presidente da República.O Instituto Lula também declarou que a repetição do que chama de “teses caluniosas” tem o objetivo de ligar o ex-presidente a processos em que ele não é investigado e sequer citado. O instituto informou ainda que, para ele, é ilegal e vergonhosa a invasão de privacidade a que Lula e a família dele vêm sendo submetidos por determinados agentes do estado e veículos de imprensa.

A construtora OAS e o ex-presidente da empresa, Léo Pinheiro, não vão comentar o assunto. A TV Globo não conseguiu contato com o ex-executivo da empreiteira Paulo Gordilho.

As mensagens
Numa das mensagens, de 12 de fevereiro de 2014, destacada na revista “Veja”, Gordilho diz: “o projeto da cozinha do chefe está pronto. Se marcar com a madame, pode ser a hora que quiser”. Léo pinheiro responde: “amanhã, às dezenove horas. Vou confirmar. Seria bom também ver se o do Guarujá está pronto”. Em seguida, Gordilho escreve: “Guarujá também está pronto”. Léo pinheiro diz, então, que vai confirmar o encontro às 19h do dia seguinte.

De acordo com a reportagem, a Polícia Federal acredita que a palavra “chefe” se refere a Lula e “madame”, à mulher dele, Marisa. O encontro citado na mensagem, no entanto, não aconteceu. Segundo a revista, em 13 de fevereiro de 2014, um dia depois da primeira mensagem, o então diretor da OAS perguntou a Léo Pinheiro se a reunião estava confirmada.

“Léo está confirmado? Vamos sair de onde e a que horas?”, diz a mensagem de Gordilho. “Fábio ligou desmarcando”, responde Pinheiro. “Em princípio, será às 14 hs na segunda. Estou vendo, pois vou para Uruguai”, continua o ex-presidente da empreiteira. A revista afirma que, para os investigadores, o “Fábio” a que Léo Pinheiro se refere na mensagem é Fábio Luis, o filho mais velho do ex-presidente Lula.Dias após esse diálogo, outra mensagem, também encontrada no celular de Leó Pinheiro, mostra que os projetos das cozinhas eram discutidos nos mínimos detalhes pelo próprio presidente da OAS, incluindo questões como o forro de gesso e a estrutura do telhado. A reportagem de “Veja” afirma que o encontro para apresentar os projetos para Marisa acabou acontecendo.

Segundo a revista, Léo Pinheiro, que estava viajando, foi informado de tudo. Em 10 de março de 2014, ele autorizou o custo da obra, segundo a publicação. Um interlocutor não identificado pela polícia manda uma mensagem citando o nome de um dos donos do sítio, Fernando Bittar, que é sócio de Fábio Luis, filho de Lula.

A mensagem diz: “Dr Léo, o Fernando Bittar aprovou junto à dama os projetos, tanto do Guarujá como do sítio. Só a cozinha kitchens completa pediram 149 mil, ainda sem negociação. Posso começar na semana que vem? É isto mesmo?”. Pinheiro responde: “ok”. A TV Globo não conseguiu contato com o advogado de Fernando Bittar.

Fonte: G1

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