Março é a esperança de chuvas para setor elétrico

A chegada de março vem acompanhada de uma grande expectativa para o setor de energia elétrica nacional. O mês, conhecido pela grande regularidade de chuvas, deve trazer um alívio aos reservatórios de água das hidrelétricas, que estão abaixo do normal para a época, mas não conseguirá corrigir a problemática. Primeiro, porque sozinho não será suficiente para repor os últimos meses de déficit pluviométrico. Depois, porque as previsões já apontam que o registro de chuvas não deve alcançar a média no período.

Segundo o Sistema de Meteorologia da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, a normal pluviométrica de março (média dos últimos 30 anos) é de 180 a 220 milímetros para o Estado e a expectativa é de que as chuvas fiquem “ligeiramente” abaixo deste patamar. Embora o balanço das chuvas de fevereiro não tenha sido concluído, já se sabe que ficou bem aquém do normal.

Menor nível

A Usina Hidrelétrica de Itumbiara é o exemplo mais emblemático da situação crítica da falta de água (veja quadro). Ela atingiu o menor nível de todos os reservatórios do País, com apenas 16,23% de sua capacidade total, conforme o último registro divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS), de terça-feira.

Em outras palavras, a usina está com menos de 307 metros de elevação de água, 188 metros a menos do mínimo necessário para operação sem comprometimento da geração de energia. A Usina de Itumbiara faz parte do principal subsistema de geração de energia no País, o Sudeste/Centro-Oeste, que anteontem estava com 34,66% de sua capacidade (juntando os quatro reservatórios que compõem o subsistema).

Para se ter uma ideia, neste mesmo período do ano passado, a regional Sudeste/Cen- tro-Oeste estava com 45,48% de sua capacidade. O ONS trabalha com a perspectiva de que os reservatórios do subsistema encerrem março com apenas 38,9%. “Para a semana de 1º a 7 de março, a previsão é de que a passagem de duas frentes frias ocasione totais significativos de precipitação nas bacias das regiões Sudeste e Centro-Oeste e fraca nas bacias dos rios Uruguai e Iguaçu”, escreveu o operador, na primeira versão do Programa Mensal de Operação (PMO) de março. Em fevereiro, as afluências no subsistema foram de 39%, a segunda pior em 84 anos de registro.

Custos

A melhora das afluências, contudo, já contribuiu para a redução de 19,04% no custo marginal de operação (CMO), que determina o maior ou menor despacho das termelétricas, no Sudeste/Centro-Oeste. Na semana passada, o CMO nesse subsistema passou de R$ 1.685,28 por megawatt/hora (MWh) para R$ 1.364,24/MWh, voltando a ficar abaixo do custo de déficit do sistema.

Segundo o gerente da Assessoria de Comercialização de Energia da Celg-D, Sérgio dos Santos Júnior, o último preço de liquidação das diferenças (PLD), valor pago pela companhia para comprar energia no mercado, foi de R$ 822,70 por MWh (valor que representa o teto). Ele ainda não tem o balanço de quanto foi consumido de energia em fevereiro em Goiás. No País, estima-se que o consumo cresça 7,4% em março de 2014 frente a igual mês de 2013, para 68,205 mil MW médios. O volume é relativamente menor do que os 71 mil MW médios apurados atualmente no consumo diário do País.

Sérgio estima ainda que a compra de termelétricas pela Celg em fevereiro tenha sido em torno de 170 mil a 200 mil megawatt/hora. “Isso equivale a 16% da nossa necessidade de compra de energia no mês”, explica Sérgio, que acrescenta: “Nossa expectativa é de que chova bastante em março para nos dar uma segurança maior (de geração e abastecimento de energia).”

Fonte: O Popular

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