Mantega admite aumento maior

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu ontem que os problemas do setor elétrico terão impacto sobre a conta de luz com reajustes maiores para os consumidores. Segundo cálculos de técnicos da área de energia, o peso dos empréstimos de R$ 8 bilhões que serão contratados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para socorrer as distribuidoras será de cerca de 10%. Mas o governo ainda não definiu como será o repasse para a conta de luz, a partir de 2015: se de uma vez ou em parcelas.

“Deveremos ter algum reajuste a maior da energia elétrica por causa das chuvas escassas. Estamos minimizando esse problema e o governo federal está colocando R$ 4 bilhões para compensar parte do aumento. O governo está compartilhando o aumento de custo com o consumidor”, disse Mantega.

Ontem, foi publicado o decreto com as regras para os aportes e empréstimos que ajudarão as distribuidoras a cobrirem as despesas extras com o uso das térmicas e compra de energia mais cara no mercado de curto prazo. Os recursos serão transferidos às distribuidoras pela CCEE até 31 de dezembro deste ano.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) manteve a previsão de que é baixa a probabilidade de haver dificuldades no suprimento de energia para o país neste ano, assim como ocorreu em março. Em fevereiro, esta probabilidade já foi considerada baixíssima, tendo sido alterada para baixa em março.

RACIONAMENTO

O risco de o Brasil ter um racionamento neste ano quase dobrou. Com as chuvas abaixo do esperado para março, a probabilidade de o País ter de decretar um corte superior a 4% da demanda de energia subiu de 24% para 46%, segundo cálculos da consultoria PSR, do especialista Mario Veiga, apresentado em evento interno para clientes. Uma redução dessa dimensão significaria desligar 12 milhões de residências.

Para abril, o cenário não é muito animador já que o volume de chuvas tende a ser menor que o de março. “O risco aumenta na medida que chegamos ao fim do período úmido”, afirma o diretor da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos.

Fonte: O Popular

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