Já faltam gasolina e diesel

Gasolina e Óleo Diesel já começam a faltar em postos de combustíveis do interior do Estado. Em Goiânia, o mesmo já ocorre em estabelecimentos com maior fluxo de comercialização. Esse cenário é reflexo de mudanças das regras de carregamentos impostas, há uma semana, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em meio a essa crise no setor, a ANP afirma que desconhece notícias de dificuldades na implantação da medida em outro ponto do País.

Há quatro dias, caminhões formam filas quilométricas, que não param de crescer, nas proximidades da base compartilhada das grandes distribuidoras, administrado pela Petrobrás, no Jardim Novo Mundo, em Goiânia.

De terça-feira para cá, o tempo gasto para abastecer um caminhão-tanque na base compartilhada das grandes distribuidoras (pool), no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, dobrou. Até terça-feira, caminhoneiros aguardavam até 24 horas para encher os compartimentos das carretas. Ontem, alguns profissionais previam completar 48 horas à espera da conclusão de um carregamento. Eles afirmam que as novas exigências estão impossibilitando o abastecimento em tempo hábil.

Na prática, postos de combustíveis em Goiânia e no interior do Estado, especialmente os de maior fluxo de comercialização, já sentem os efeitos dessa reestruturação. Desde terça-feira, em algum período do dia, esses estabelecimentos ficam com os tanques secos. A maioria dos demais estabelecimentos trabalha com estoque abaixo do normal.

O caminhoneiro Fagner Montanheiro Borges explicava ontem que desde as 9 horas de terça-feira aguardava autorização para carregar 40 mil litros de óleo diesel para transportar para Mineiros. “Hoje (ontem), não tem mais previsão para carregar, devo sair daqui somente amanhã (hoje). Se demorar mais, o posto vai ficar sem combustível.” diz. No total, são 48 horas para finalizar o procedimento.

A história de Fagner é apenas mais uma de outras tantas semelhantes que podiam ser ouvidas durante a tarde de ontem em frente à base de distribuição. A agonia dos caminhoneiros é que, ao contrário de terça-feira, ontem não havia nem mesmo uma previsão dos horários de carregamento. “Mesmo enrolando, no início da semana tínhamos previsão do horário que íamos carregar. Hoje não temos nem isso”, diz o caminhoneiro de Cristalina, José Carlos de Oliveira, após afirmar que não há mais combustível no posto em que trabalha.

FALTA

Nos bastidores, caminhoneiros acreditam que, se nada mudar, pode faltar combustível de forma mais generalizada a partir da próxima segunda-feira. A explicação é que o tamanho da fila vai se agravar após a interrupção do expediente no fim de semana.

“Além da demora excessiva, as distribuidoras não estão fornecendo a quantidade de produto necessário para cada posto”, informa diretor do Sindiposto-GO, Gustavo Faria. Ele explica que os postos costumam trabalhar com estoque suficiente para atender três dias de demanda, por isso alguns postos apresentam falta de algum tipo de produto. Para ele, o cenário deve se agravar a cada dia. “Amanhã acredito que deve falta algum tipo de produto em 20% dos postos e até segunda-feira, sofremos risco de desabastecimento”, alerta.

Em nota, a ANP afirma que não tem notícias de dificuldades de implantação da medida em outros pontos do País, que não há risco de desabastecimento e que a resolução não faz menção à necessidade de os caminhões circularem dentro das instalações das distribuidoras antes de transportarem o produto. Ainda em nota, a ANP afirma que por mais de um ano, a minuta de resolução foi amplamente discutida com o mercado antes de ser publicada. O prazo de adequação chegou a ser ampliado de 90 dias para 120 dias a pedido dos agentes econômicos da cadeia de abastecimento.

Já o Sindicato das Distribuidoras de Combustível (Sindicom) afirma que a base de Goiânia foi um dos locais onde as distribuidoras associadas à entidade iniciaram a aplicação da resolução de amostra-testemunha. O sindicato afirma que a homogeneização do produto dura apenas cinco minutos, no entanto, o processo novo de amostragem tem agregado até 1h30 a mais em cada carregamento.

O sindicato diz que, desde as discussões preliminares sobre a resolução, as distribuidoras apontaram para a ANP que seria inviável a coleta de amostras nos caminhões tanques FOB (pertencentes aos próprios revendedores).

CAUSAS

O motivo do problema está na alteração da forma de carregamento imposta pela ANP. Na última quinta-feira, entrou em vigou a Resolução de nº 44/13 da ANP que, entre outras determinações, tornou obrigatória a coleta de amostra de todos os compartimentos de caminhões-tanque de combustíveis direcionados ao mercado de revenda do País. Para isso, os caminhões-tanques dos próprios postos de combustíveis passaram a ser obrigados a dar voltas no pátio das distribuidoras até homogeneizar a mistura de 75% de gasolina e 25% de álcool anidro para, somente depois, estarem aptos a fazerem o teste de amostragem (veja quadro). Antes da nova resolução, as distribuidoras entregavam apenas uma espécie de relatório atestando a qualidade do combustível para cada caminhão-tanque.

INTERIOR

A demora no carregamento de caminhões-tanque de combustível no pool de distribuidoras em Goiânia já está causando desabastecimento em postos do interior. Ontem, em Rio Verde, a 220 km da capital, a maioria dos postos trabalhava com o estoque abaixo do normal. “Já estamos sem gasolina comum. Se não chegar hoje, amanhã não teremos a aditivada”, contou ontem Marcelo Ferreira de Oliveira, dono do Posto XV, um dos postos mais movimentados no centro da cidade. Segundo o empresário, a entrega era para ter sido feita na segunda-feira, dia 24.

Em Mineiros, a mais de 400 quilômetros de Goiânia, a apreensão dos donos de postos a respeito da liberação dos caminhões é ainda maior. “Gasolina comum e diesel acabaram hoje e ainda não sabemos quando vai chegar”, disse Silvânia Alves Pereira. A gerente já prevê risco de aumento no preço do frete. Segundo ela, as empresas da região já estudam a possibilidade de comprar combustíveis do pátio de Uberlândia (MG). “O problema é que o custo do frete por litro passaria de R$ 0,07 para pelo menos R$ 0,10.”

Fonte: O Popular

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