Inflação de Goiânia tem maior alta para maio desde 2009

Aumento das tarifas de ônibus e de água fez a inflação da capital fechar o mês passado em 1,19%

O custo de vida das famílias goianienses com renda mensal entre R$ 622 e R$ 3.115 ficou mais alto no mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação local para famílias que ganham entre um e cinco salários mínimos, fechou maio com variação de 1,19% – a maior para o mês desde 2009.

Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan). Na prática, boa parte dos moradores da capital viu os preços de 205 produtos e serviços de consumo diário, semanal ou mensal ficarem, em média, mais altos em maio do que no mesmo mês de 2011 e 2010.

FENÔMENO

A causa deste fenômeno está ligada à “coincidências previsíveis”: o aumento ordinário da tarifa de transporte e extraordinário da tarifa de água e esgoto no mesmo mês em que a chegada do frio, normalmente, eleva os preços de alimentos e roupas. A ocorrência desses fatores ao mesmo tempo pressionou o IPC a fechar em maio com recorde para os últimos três anos.

O gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais da Segplan, Marcelo Eurico de Sousa, explica que o reajuste da passagem de ônibus, mesmo que tenha entrado em vigor nos últimos 11 dias de maio, por exemplo, puxou a inflação. O transporte é um dos itens de maior peso na formação do índice. Sua contribuição é de 14,2%.

“É um serviço usado diariamente por parte das famílias pesquisadas e que ocupa parte importante do orçamento desse público. A elevação do preço da passagem tem como efeito uma pressão inflacionária. Ou seja, o custo de vida dessas pessoas fica mais alto”, explica Marcelo.

ALTA

O aumento da tarifa foi aprovado em reunião da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (CDTC-RMG) e entrou em vigor no dia 20 de maio. O valor da passagem de ônibus passou de R$ 2,50 para R$ 2,70.

Os aumentos anuais, sempre no mês de maio, são previstos nos contratos de concessão assinados com as empresas que operam o transporte coletivo. No reajuste de 2011, a tarifa passou de R$ 2,25 para R$ 2,50. Porém, inflação fechou o mês de maio daquele ano em 0,89% – bem abaixo do índice deste ano.

Isso porque a alta registrada no mês passado está ligada também ao reajuste da tarifa de água e esgoto. O serviço subiu 5,32% no dia 1º de maio, fazendo os goianienses dedicar seu orçamento mensal para itens da habitação, em média, 1,68% a mais do que em meses anteriores.

REAJUSTE

O reajuste foi autorizado pelo Conselho Regulador da AGR, após realização de estudos técnicos, que levaram em conta o impacto dos indicadores oficiais de preços, reajustes dos setores elétrico e de telecomunicações e salário mínimo sobre item de custo da Saneago. O reajuste, em 2011, teria ocorrido em março.

A AGR é o órgão responsável no Estado por autorizar o reajuste de tarifas de serviços públicos, como água e transporte intermunicipal de passageiros. Os reajustes são publicados por meio de resoluções e, normalmente, não têm calendário fixo, podendo ocorrer a qualquer momento.

OUTROS

Entretanto, Marcelo Eurico lembra que o índice inflacionário sofreu impacto, além destes itens, do setor de vestuário e da alimentação. Os produtos e serviços destes dois setores tiveram variações sazonais, causadas pela mudança do clima em Goiás.

Com a chegada do tempo frio, as roupas ficaram mais caras. Camiseta masculina subiram 11,79% no mês passado e as blusas femininas, 9,06%. Desta forma, o setor de vestuário registrou uma variação média de 2,82%.

O mesmo ocorreu com os alimentos. Nesta época, boa parte das frutas, vegetais e legumes de consumo diário entra no período de entressafra. Com a redução da oferta, os preços sobem até que se inicie a colheita.

O tomate, por exemplo, registrou alta de 15,42% em maio e a cebola ficou 25,76% mais cara. A alta das hortaliças fez o item alimentação ficar 0,87% mais caro. “Isso contribuiu para que a inflação de maio fechasse em 1,19%.”

No acumulado do ano, o IPC está em 3,68%. O índice é bem próximo do registrado no ano passado, quando o indicador fechou em 7,26. Até maio de 2011, a inflação de Goiânia estava em 3,70. A proximidade ocorre graças à disparada de maio.

A cesta básica comprada em supermercados de Goiânia, por sua vez, também ficou mais cara em maio. O preço fechou R$ 212,47, contra 210,66 (alta de 0,86%). Apenas neste ano, a cesta básica está 4,86% mais cara.

Fonte: O Popular

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