Greve em usinas de SP pode ter início a qualquer momento, diz sindicato

Reunião com os patrões nesta segunda-feira terminou sem acordo. Trabalhadores querem reajuste de 10% e indústrias oferecem 5%

Os trabalhadores das usinas de Araraquara (SP) e região podem entrar em greve a qualquer momento, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação. A categoria não aceita o reajuste salarial de 5% proposto pelo sindicato patronal, de acordo com o presidente Antonio Gonçalves Filho.

Os funcionários pedem aumento de 10%, mas as usinas ofereceram 4,5%. O sindicalista diz que o valor é irreal, pois apenas a inflação no período foi de 4,88%. “Estive ontem em São Paulo para uma reunião e aumentaram para 5%. Não mudou nada e a classe não aceita de jeito nenhum esse valor”, explicou Filho ao G1.

O sindicalista disse que até o começo desta tarde entrará em contato com a direção da Usina Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), para tentar uma negociação. “Daremos um prazo de 72 horas para que cheguemos a um acordo. A partir de agora podemos parar a qualquer momento. Só não fizemos isso ainda porque estamos conversando com a Tamoio e outras usinas da região”, afirmou Filho.

Braços cruzados

De acordo com o sindicalista, somente na Usina Santa Cruz cerca de 400 trabalhadores devem cruzar os braços. O Estado de São Paulo possui cerca de 45 mil trabalhadores nas indústrias de alimentação. Na região de Araraquara, são aproximadamente 2,6 mil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que só se manifestará sobre negociações coletivas quando elas forem encerradas.

A classe trabalhadora está em estado de greve desde o dia 22 do mês passado. A decisão foi tomada logo após a reunião entre os sindicatos filiados, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp) e os usineiros. Na terceira rodada de negociações, a indústria não ofereceu aumento real. O reajuste proposto teria sido de 4,50%, enquanto a inflação alcançou 4,88%.

De acordo com o presidente do sindicato, os empresários alegam que a falta de chuva prejudicou a safra da cana. “Não temos nada a ver com isso. Quem faz chover é Deus. Não temos como fazer chover. Os trabalhadores deixam a usina pronta para funcionar. Também não plantamos cana”, pontua.

Fonte: G1.com

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