Goiás melhora índice em 27%; destaque para renda e trabalho

Assim como no País, o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) em Goiás caiu 27% entre 2000 e 2010, de acordo com o estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O indicador, que mede a exclusão social da população goiana, passou de 0,457 para 0,331 na última década.

O estudo reúne 16 parâmetros de infraestrutura urbana, saúde, educação, renda e trabalho. Quanto maior o índice, piores são as condições de vida da população. Dentre os fatores, o que apresentou maior redução foi Renda e Trabalho, que envolve indicadores de insegurança e de precariedade nas relações de trabalho.

Na prática, o IVS Renda e Trabalho apresentou queda de 37,8%, passando de 0,442 para 0,274, ou seja, de alta para baixa (veja quadro). O que significa que houve redução da informalidade, redução do trabalho infantil e aumento da ocupação no Estado. Entre os indicadores, aquele relativo à desocupação da população de 18 ou mais anos de idade, foi o que mais caiu, com redução de quase 50%. Já a informalidade apresentou queda de 33%.

De acordo com a coordenadora de estudos em desenvolvimento urbano do Ipea, Bárbara de Oliveira Marguti, a evolução da dimensão Renda e Trabalho significa maior geração de emprego. “A queda na informalidade é o que, consequentemente, gera mais rentabilidade para a população. Outro ponto de destaque é a queda no porcentual de pessoas que possuem renda per capita inferior a meio salário mínimo e dependentes de idosos”, pondera.

Formalização

O índice é destacado e comemorado por quem conseguiu um emprego formal nesse período. É o caso da recepcionista da Queiroz Silveira Shirley Pereira, 40 anos. Ela ocupou a vaga em 2010 e antes disso trabalhava com artes manuais, na informalidade. “Comemoro esse fator há cinco anos. A formalização trouxe estabilidade para a minha vida, principalmente na área financeira. É carteira assinada, além dos benefícios e segurança”, afirma.

O ano de 2010 também foi positivo para a operadora de caixa Andréia Alves Ferreira, 29 anos. Esse foi o primeiro emprego que Andréia conseguiu com carteira assinada e, por isso, ela faz questão de mantê-lo. “Por causa da crise, muitas pessoas foram demitidas, fiquei com medo e propus para a empresa reduzir minha carga horária. Assim fica bom para todos. Não posso perder um emprego formal para fazer bicos, como ocorreu até os meus 24 anos”, conta.

Desempenho

Os municípios goianos que mais se destacaram foram Chapadão do Céu e Goiânia, apresentando índice de 0,198 e 0,182, respectivamente. Já as cidades com indicador muito alto são Amaralina, com 0,589, e Flores de Goiás, com 0,566.

O gerente de estudos socioeconômicos do Instituto Mauro Borges, da Secretaria de Planejamento (IMB/Segplan) Marcos Arriel, explica que os dados divulgados pelo Ipea mostram uma expansão econômica do Estado, que possibilitou que mais pessoas entrassem no mercado de trabalho com aumento de salário. O que, segundo ele, deixou a população menos vulnerável.

Em relação aos municípios, Arriel afirma que, nas cidades onde a atividade econômica é mais pujante, há mais oferta de empregos de qualidade, “o que, consequentemente, gera possibilidades de rendimentos melhores e acesso a bens de consumo, educação e saúde”.

“É o caso de Goiânia e Chapadão do Céu. A primeira, como capital do Estado, tem força econômica significativa e possibilita mais acesso ao emprego formal. Em Chapadão, temos uma agropecuária dinâmica e também agroindústria importante. Já no Nordeste do Estado, encontramos fatores que são opostos a essas duas cidades. Ou seja, fraca atividade econômica e oferta menor de trabalho”, diz.

Questionado sobre a perspectiva para os próximos índices, o gerente de estudos socioeconômicos do IMB/Segplan afirma que o índice deve avançar ainda mais. “É preciso esperar as próximas análises. Creio que esse período de crise econômica é temporário. E, se a década seguir o mesmo ritmo que teve até 2014, teremos mais diminuição no índice de vulnerabilidade em Goiás”, acredita.

Nacional

No ranking com os melhores resultados do País, Goiás está na oitava colocação. Porém, à frente do índice nacional, que caiu de 0,446 para 0,326 entre 2000 e 2010, segundo o levantamento do Ipea. A queda é de 27% e fez com que o Brasil passasse da faixa de alta vulnerabilidade social para a faixa de média vulnerabilidade social.

O número de cidades com alta ou muito alta vulnerabilidade social caiu de 3.610, em 2000, para 1.981, em 2010. Já o de municípios com baixa ou muito baixa vulnerabilidade social passou de 638 para 2.326 no mesmo período. A melhora, segundo o levantamento, foi mais nítida em alguns Estados das regiões Centro-Oeste (como a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul), Norte (especialmente no Tocantins) e Nordeste (com destaque para o sul da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e leste de Pernambuco).

O Ipea ressaltou, entretanto, que o quadro de disparidades regionais no país permanece, com concentração de municípios na faixa de muito alta vulnerabilidade social no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia) e no Nordeste (principalmente no Maranhão, em Alagoas e em Pernambuco, além de porções do território baiano).

“Num país desigual como o nosso e que, apesar de todos os avanços, ainda apresenta um quadro de vulnerabilidade social média, a gente não derrotou o problema da vulnerabilidade social estrutural. A gente está em um processo. Os avanços são substantivos. Não há como o Brasil se desenvolver e ser um país minimamente mais justo se as políticas sociais não tiverem continuidade”, explicou o diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Marco Aurélio Costa.

Fonte: O Popular

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