Goiás lidera produção industrial

Puxada pelo setor de produtos químicos, indústria goiana cresceu 12,8% em setembro ante igual mês de 2012

Com pé no acelerador, a indústria goiana surpreendeu e consolidou em setembro o quinto mês consecutivo de crescimento. Independente do intervalo observado, o incremento industrial de Goiás está entre os três melhores registrados entre as 14 regiões pesquisadas. O destaque fica por conta da elevação de 12,8% em setembro se comparado ao mesmo mês do ano passado. Esse índice configura Goiás com a maior expansão do País e bem acima da média nacional, que foi de 2%.

Na comparação setembro ante agosto, o Estado registrou um avanço de 4,1%, só perde para Rio de Janeiro (4,4%) e Bahia (6,8%). No País, o crescimento no período chegou a 0,7%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A liderança goiana foi puxada pela produção da indústria química, que registrou ganho de 26,6% em setembro. Esse crescimento é fruto de investimentos injetados ao longo do ano passado – na casa dos R$ 120 milhões – na ampliação de indústrias do setor instaladas no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia).

Os recursos foram aplicados em novas marcas, equipamentos e construções de novas instalações. Segundo o presidente executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás (Sinfargo), Marçal Henrique Soares, antes da conclusão dos investimentos, a indústria química local produzia cerca de 800 mil doses de medicamentos por segundo. Atualmente, são produzidas 1,3 milhão de doses de medicamentos por segundo – um adicional de 62,5%. “O crescimento foi generalizado na produção de genéricos, medicamentos isentos de prescrição, de referência e similares”, diz Marçal.

Mas os investimentos não param por aí. O segundo maior parque industrial em produção de medicamentos do País, receberá nova rodada de recursos. Segundo Marçal, está previsto investimentos para este ano de R$ 50 milhões. “São investimentos complementares. Por isso, estimamos crescer de forma sustentável. No próximo ano acima de 20%”, ressalta. Segundo o economista da Coordenação de Indústria do IBGE, Rodrigo Lôbo, o setor de produtos químicos representa 32% na base de produção industrial de Goiás.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Com peso de quase 50% na formação do índice, as indústrias de alimentos e bebidas não surpreenderam. Com crescimento de 4,8% em setembro se comparado ao mesmo período do ano passado e 4,3% no acumulado do ano, o administrador e coordenador técnico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Welington Vieira, afirma que este resultado está dentro da média de crescimento. “Mas ao mesmo tempo não é tão bom em função de outros já registrados”, afirma.

Mesmo assim, diz, esse setor é bastante diversificado em Goiás. A elevação foi registrada na produção de maionese, cervejas, chope, condimentos e temperos compostos, extrato de tomate, carnes bovinas frescas, refrigeradas e ketchup.

MINERAIS NÃO-METÁLICOS

Cimentos, painéis, ladrilhos e telhas são produtos bases da indústria de minerais não-metálicos de Goiás. Responsáveis por abastecer a indústria da construção civil, o setor viveu dois momentos distintos.

O segmento registrou uma elevação de 7% na comparação de setembro deste ano com setembro de 2012, mas apontou um crescimento tímido, de 0,3% no acumulado do ano. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Carlos Alberto de Paula Moura Júnior, a construção civil, o principal mercado da indústria de minerais não-metálicos, está em um período de estabilidade. “Não crescemos como imaginamos”, diz.

Ele diz que em 2012 houve um crescimento de 12%, mas que a indisponibilidade de terrenos para construção ‘força’ uma freada do setor. “Hoje há um volume de mercado para imóveis do Minha Casa, Minha Vida, mas falta terreno para outros imóveis”, diz. Ele crê que o mercado deve continuar estável, após um período de crescimento e outro de acomodação.

Para Welington Vieira, esse cenário é preocupante. Ele lembra que o setor não só é responsável por um grande volume de postos de trabalho como também absorve uma cadeia produtiva extensa: cerâmica, cimento, derivados de cimento, tintas. “A construção civil respinga em todos esses segmentos. Por isso, esse indicador não é bom”, diz.

O proprietário da Goiarte Soluções Inovadoras em pré-fabricados, Marley Rocha, afirma que setembro deste ano ficou abaixo da média histórica, mas superior ao registrado em setembro de 2012. “Esse é o mês de pico da construção civil e ficamos dentro do nosso usual.”

Marley explica que a sazonalidade rege a indústria de minerais não-metálicos. Por isso, essa elevação tímida de 0,3% no acumulado do ano. “Estamos absorvendo um pouco do que ocorreu em 2010, mas agora começamos a caminhar de lado”, frisa. Para ele, a perda de confiança e a falta de credibilidade das políticas públicas e econômicas geram insatisfação no empresariado.

Resultado do acumulado do ano é o mais relevante

Para o administrador e coordenador técnico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Welington Vieira, de todos os períodos, o acumulado do ano é o mais importante para o setor produtivo. Ele afirma que esse resultado foi positivo para Goiás, já que os cinco setores avaliados pelo IBGE apresentaram crescimento. “Isso mostra diversificação. O volume de produção de vários segmentos está evoluindo, mostrando que não é somente uma ou outra indústria que está crescendo”, afirma. No acumulado do ano, o Estado registra crescimento de 4,6%, atrás somente da Bahia (5,8%) e Rio Grande do Sul (5,6%).

O coordenador técnico da Fieg diz que a consolidação de Goiás como um dos Estados que vêm contribuindo com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional reflete em conquistas de atração de novos investimentos, geração de empregos, arrecadação de impostos e renda. “Faz com que o Estado seja mais respeitado”, conclui.

Fonte: O Popular

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