Fiéis têm gasto médio de R$ 120 e movimentam R$ 300 milhões

Os dez dias da festa do Divino Pai Eterno devem movimentar R$ 300 milhões em Trindade este ano, volume 20% superior ao ano passado, conforme estimativa da Associação Turística Fé no Coração do Brasil (Afé). Embora seja uma festa democrática, cujo gasto dependa da disposição do fiel, isso significa um consumo médio de R$ 120 por visitante. A reportagem do POPULAR fez uma espécie de roteiro das tentações para o bolso espalhadas ao longo do trajeto (veja quadro). E mais: a tendência é de que os valores dos produtos levantados sofram alteração de até 20% a partir de quarta-feira, quando começa a intensificar o movimento de fieis.

Ao longo do trajeto existem alguns pontos de apoio de distribuição gratuita de alimentos e água, o que permite ao romeiro pragmático se livrar dos gastos durante os 18 quilômetros que separam Goiânia de Trindade. Por outro lado, são diversos produtos expostos nas barracas coloridas de vendedores ambulantes prontos para sanar alguma necessidade – que vai desde água até o conforto de um chinelo de dedo.

Se os romeiros entrevistados não parecem incomodados com os gastos durante a festa, o mesmo não é observado nas atitudes dos ambulantes. Uma resposta de bate pronto era dada assim que a reportagem questionava o preço de algum produto: “Por quê? Você também está vendendo?” A sensação era de que ambulantes e comerciantes ainda estavam ajustando preços, de olho no movimento da concorrência. O que evidencia ainda mais o papel importante da pechincha ao fiel/consumidor. E o romeiro deve aprimorar essa habilidade quando chegar à cidade. Nas proximidades do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, os ambulantes vendem desde os tradicionais souvenirs de artigos religiosos até camisetas de times de futebol, biquínis, panelas, produtos eletrônicos. A sensação é de que os ambulantes da Rua 44, principal centro popular de compra do Centro-Oeste, se deslocaram em bloco para Trindade, atrás de oportunidades de negócio.

A pensionista Maria Viana, que veio de Maravilhas (MG), conta que é o terceiro ano seguido que visita o município goiano durante a festa. De volta sempre leva mimos para familiares e amigos. “Devo gastar R$ 700 nos três dias, contando alimentação e diárias. Recebi uma dádiva de Deus, isso não tem preço”, finaliza. Segundo vendedoras, os valores dos presentes mais vendidos giram entre R$ 10 e R$ 20. São chaveiros, terços e panos de prato.

Ambulantes

O valor do metro quadrado é um assunto melindroso entre os ambulantes. Muitos desconversam, mas afirmam que os valores aumentaram de 2014 pra cá. Um proprietário de uma barraca de pastel e cachorro-quente conta que para ocupar 16 metros quadrados o valor fechado é de R$ 4,6 mil, bem superior aos R$ 3,8 mil pagos em 2014.

A tarefa de encontrar diárias disponíveis nos hoteis e pousadas não é fácil. Cerca de 60% dos hóspedes já fecham reservas com um ano de antecedência. Entretanto, no dia de abertura da festa ainda era possível encontrar vários cartazes de barracões e casas para alugar, situação considerada incomum. Moradores costumam alugar o espaço da garagem para ambulantes montarem lojas. “Este ano ainda tenho uma garagem e estou percebendo que tem muitas casas ainda para alugar, acho que o movimento será menor”, diz. Ela pede R$ 3,5 mil pelo espaço. “Tem pessoas que pedem até R$ 5 mil pela garagem”, explica.

Se por um lado os 500 banheiros químicos instalados na cidade traz comodidade e saúde ao bolso do romeiro, vêm encolhendo a oportunidade dos moradores ganharem um dinheirinho a mais. Ao contrário de outros anos, não foi comum encontrar estabelecimentos comerciais e casas que cobrem pelo uso do banheiro e chuveiro, pelo menos no início da festa.

Fonte: O Popular

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