FHC: subir juros não é suficiente para conter inflação

Segundo FHC, para unir essas políticas basta que o governo tome a decisão de fazê-las

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, nesta quinta-feira, 13, que a inflação, que em maio atingiu o teto da meta no acumulado de 12 meses, 6,5%, não está fora de controle e pode ser controlada com 'relativa facilidade'. Para isso, defendeu que a política monetária de aumento na taxa de juros, que passou de 7,5% para 8% ao ano na última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), não é suficiente. 'Tem de ser uma combinação da política monetária, com a taxa de juros, com uma política fiscal. Tem de ser uma combinação das duas', afirmou.

Para o ex-presidente, fazer essa política fiscal não significa editar no Brasil políticas semelhantes às utilizadas na Europa para conter a crise, que propõe uma austeridade fiscal que pode barrar investimentos públicos. 'Claro que um país como o Brasil vai ter sempre algum déficit, simplesmente tem de ter transparência. Faz o déficit para quê? Tem de explicar. Por exemplo, essa política de favorecer grandes empresas nacionais justifica-se em momentos excepcionais, em casos excepcionais, como regra não', afirmou.

Segundo FHC, para unir essas políticas basta que o governo tome a decisão de fazê-las. 'Esse governo não parece ter essa decisão. Talvez seja obrigado pelas circunstâncias'.

Para o ex-presidente, a afirmação do economista Delfim Netto, de que há uma 'esculhambação' nas contas públicas e de que deve haver austeridade por parte do governo para 'recuperar a credibilidade', está correta. 'Acho que é isso mesmo (esculhambação). Por causa da falta de crença nas contas públicas (do governo) e por causa da maquiagem que está sendo feita. No caso, eles não são transparentes com o que fazem. Estão usando o tesouro demais para financiar o BNDES e ele passar depois para o setor privado (o dinheiro)', disse.

Indagado sobre os boatos de uma possível saída do ministro Guido Mantega da Fazenda, FHC preferiu não comentar. 'Isso é problema da Dilma (Rousseff, presidente da República)'.

Fonte: Diário da Manhã (GO)

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