Famílias mudam hábitos de compras

O avanço da inflação neste ano, apontado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, como um dos responsáveis pelo crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) do País no primeiro trimestre do ano (0,2%), forçou famílias goianas a reverem seus hábitos de consumo e a cortar gastos com alimentos e serviços.

A gerente de atendimento comercial Elizabeth Rodrigues Ramos, de 45 anos, deixou as idas semanais ao cabelereiro de lado, aboliu as saídas para almoçar fora e tirou dezenas de produtos da lista de supermercado. Tudo para economizar. “Foi a solução que encontramos para conter a alta dos preços”, diz.

Na casa de Elizabeth moram três pessoas: ela e dois filhos. Eles começaram a sentir um aumento repentino dos preços a partir de janeiro – quando os preços dos alimentos dispararam, por conta da seca nas lavouras. Em fevereiro, ela decidiram tomar as medidas prudenciais, como forma de prevenir o orçamento da família.

A primeira foi o fim dos cuidados pessoais no salão de beleza da matriarca. A cada ida ao salão eram R$ 48,00 – R$ 28 para fazer a unha e R$ 20 para retocar a sobrancelha. “Eu mesma passei a fazer minha unha e retocar a sobrancelha. No mês, a economia foi de R$ 192,00”, destaca a gerente.

A medida foi considerada positiva para a economia da família, mas não surtiu o efeito esperado. Os gastos com supermercado ainda continuavam altos. Os preços dos alimentos continuaram a subir além da renda.

Elizabeth resolveu analisar a lista de compras da família mais de perto e tomou a decisão de não comprar congelados e de trocar alimentos e produtos de limpeza por marcas com preços mais em conta.

Ela passou a levar o almoço de casa para o trabalho, para evitar os gastos com restaurantes. As idas semanais ao supermercado também foram interrompidas. Agora, só a cada quinzena. “Consegui economizar 30%. O preço vem subindo muito e a renda não consegue acompanhar”, reclama.

CENÁRIO

No primeiro trimestre deste ano, a inflação de Goiânia fechou em 2,76% – bem acima dos 2,05% registrados no ano passado. Os alimentos e os combustíveis foram os responsáveis por puxar a alta do índice inflacionário.

O funcionário público Adonias José de Santana, de 63 anos, sentiu na pele a influências destes dois fatores. O combustível para o percurso de cerca de 15 quilômetros entre sua casa, no Parque Amazonas, até o trabalho, na Cidade Jardim, passou a ter um impacto maior no orçamento da família. No ano passado, gastava R$ 50,00 por semana. Desde o início do ano, gasta R$ 100,00. “O litro do combustível subiu muito e a frota aumentou bastante. Tudo isso contribui para gastar o dobro”, explica.

Adonias afirma, no entanto, que os alimentos impactaram mais no orçamento. Ele mudou de supermercado, de panificadora e ainda cortou os supérfluos das compras. Conseguiu reduzir os gastos com as compras mensais de R$ 600 para R$ 400. Tudo para evitar que o dragão da inflação cause maiores estragos. “Foram medidas simples, mas que fazem a diferença. Trocamos o suco de caixinha pelo de pó e a buscar um pão com o quilo mais barato”, afirma. “Todos os dias, na minha casa, almoçam ou jantam filhos e netos. Precisamos tomar esta medida para manter a nossa tradição”, avalia.

Fonte: O Popular

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