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Estoques altos devem atrasar recuperação da indústria

Nível alto de encalhes, como os 31,7% do setor têxtil, retardam retomada da produção prevista para o segundo semestre

O cenário externo hostil e o crescimento aquém do esperado do consumo doméstico limitaram mais uma vez o processo de ajuste dos níveis de estoque na indústria brasileira. O setor como um todo conseguiu ligeiro avanço, mas o volume de bens de consumo duráveis, como geladeiras, fogões, televisores e automóveis encalhados nas fábricas continua muito alto, mostra a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O ritmo lento do ajuste deve atrasar a retomada da produção da indústria prevista para o segundo semestre.

A FGV considera setores superestocados aqueles em que o saldo entre a porcentagem de empresas com estoques excessivos e insuficientes é igual ou maior do que 10%. Em junho, o setor de bens de consumo duráveis teve saldo de 15,5% .

Não se trata de caso isolado. No setor de materiais de transporte, que inclui automóveis, caminhões e ônibus, o indicador bateu em 12,6%. Já em celulose e papel, o saldo no segmento de embalagens subiu para 13,2%. O maior nível de encalhe foi registrado em têxteis: 31,7%.

“Isso indica que, no curto prazo, não dá para imaginar que a produção industrial tenha alguma recuperação”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.

Borges estima que o setor tenha ficado estagnado ou até recuado em maio e junho. Neste começo de semestre, segundo ele, “a produção ainda deve andar de lado, porque tem muito estoque para queimar”. A partir de agosto ou setembro, porém, a perspectiva é mais positiva.

O economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), diz que a produção começará a andar em ritmo mais forte, não só porque os estoques deverão estar mais bem equacionados, mas também porque o setor começará a sentir o efeito defasado das medidas de estímulo que o governo tomou até agora. “Talvez não dê para ter um crescimento forte até o fim do ano, mas melhora o quadro do segundo semestre”, diz Almeida.

Falta competitividade. Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as perspectivas não são nada animadoras.

“Vamos continuar revisando o PIB (produto Interno Bruto) para baixo, provavelmente”, afirma. A causa, segundo ele, é dupla: a crise externa, que ainda vai perdurar durante um bom tempo, e nossas causas estruturais de sempre.

“A economia brasileira é pouco competitiva num mundo que se torna cada vez mais competitivo com os ajustes que estão sendo feitos”, diz o economista.

Para ele, as politicas que têm sido aplicadas pelo governo não funcionam. “Elas lembram os movimentos dos anos 80 de fazer pacotes de curto prazo. A economia brasileira está engessada por um pensamento muito voltado às políticas fiscal e monetária, mas essas são para ajustes cíclicos, não para crescimento de longo prazo.”

Indigesto. A anemia da indústria ficou patente nos dados do Indicador do Nível de Atividade (INA) divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na semana passada. Após mais um resultado negativo, em maio, o setor acumulou queda de 6,3% no ano.

Os dados foram indigestos para boa parte dos empresários que participavam de reunião mensal na sede da entidade. “Estava na hora do almoço e, depois de ouvir, metade do pessoal preferiu ir embora sem almoçar”, disse, bem humorado, um dos participantes. A Fiesp rebaixou a previsão para 2012 de crescimento do PIB de 2,6% para 1,8%.

Fonte: Estadão.com

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