Energia térmica custa 7 vezes mais

Conta de luz pode chegar 25% mais cara, em média, para o consumidor no próximo ano

Acionadas em suas capacidades máximas de produção desde o dia 31 de janeiro, as quatro usinas termoelétricas instaladas em Goiás devem permanecer a todo o vapor até o fim do ano. Ao todo, produzem 414 megawatts/hora a um custo quase sete vezes maior que o de uma usina hidrelétrica.

Essa medida é reflexo da forte estiagem que atingiu o País desde o início do ano, além do aumento do consumo de energia. O resultado é que a conta de energia pode ficar, em média, 25% mais cara em 2015.

A última vez em que foi necessária a ativação simultânea, em Goiás, das quatro termoelétricas, foi em outubro de 2012. Na ocasião, o motivo foi o aumento do consumo de energia local. “Elas permaneceram dessa forma até o fim de março de 2013”, afirma um engenheiro do setor que não quis se identificar.

Para o engenheiro de operação e manutenção da Usina Termoelétrica de Palmeiras de Goiás, Vinícius Gontijo, há uma forte tendência de que as usinas continuem produzindo em sua capacidade máxima ao longo do ano. Ele explica que a programação mensal estimada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), porém, é revista semanalmente.

“A previsão é curta, podemos ser acionados ou desativados do dia para a noite, como já aconteceu em outras ocasiões, mas a tendência é de que permaneça gerando energia todo o ano”, explica.

Na mesma situação estão as demais usinas instaladas em Goiás: Daia, Xavantes e Goiânia 2.

Vinícius diz que elas só são acionadas quando o valor do megawatt atinge um patamar cuja equação seja compatível para despachar o chamado Custo Variável Unitário (CVU). Esse valor é alto, já que suas fontes de energia são óleo, gás, carvão ou biomassa. Na prática, isso significa que a geração de energia está mais cara e a conta vai chegar para o consumidor.

Segundo análise do engenheiro de assessoria de comercialização da Celg, Sérgio dos Santos Júnior, a estiagem não é a única explicação para justificar o acionamento recorde das usinas termoelétricas. “Questões ambientais impedem a construção de grandes reservatórios e, por outro lado, o consumo só está aumentando”, explica.

Em Goiás, estima, o consumo de energia deve ter crescido 8% em fevereiro se comparado ao mesmo período do ano passado. “Isso é 3% a mais que a nossa estimativa”, diz o engenheiro.

Na prática, o consumidor vai pagar a conta. E ela será alta. O engenheiro Sérgio Santos, da assessoria de comercialização da Celg, explica que um megawatt/hora produzido por hidrelétricas custa para as distribuidoras de energia até R$ 130.

Já o valor de um megawatt/hora gerado por uma termoelétrica é variável. Entretanto, o teto máximo do custo para as distribuidoras de energia é de R$ 822. “É nesse valor que estamos comprando.”

Por isso, o caixa das distribuidoras está em desequilíbrio. “Compramos mais caro e repassamos o mesmo preço para o consumidor”, afirma. Para o sistema não entrar em colapso, o governo aprovou a liberação de mais R$ 8 bilhões na quarta-feira.

RACIONAMENTO

Para Sérgio dos Santos Júnior, a possibilidade de um apagão elétrico ou mesmo a necessidade de racionamento de energia elétrica vai depender do nível dos reservatórios e, sobretudo, do consumo.

Para ele, é possível amenizar o problema elaborando um programa de redução de consumo de energia. “Poderia criar uma espécie de bonificação para quem economizar energia”, diz. A ideia é que a sociedade esteja consciente da atual realidade do setor e seja proativa para a solução.

Fonte: O Popular

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